PUBLICIDADE
Topo

Milícias curdas pedem ajuda a Assad contra Turquia

28/12/2018 08h19

Beirute, 28 dez (EFE).- As milícias curdo-sírias Unidades de Proteção Popular (YPG, na sigla em curdo) pediram nesta sexta-feira ao governo do presidente da Síria, Bashar al Assad, ajuda para proteger o norte do país diante da ofensiva anunciada pela Turquia.

O grupo informou que retirou suas tropas da região de Manbij, uma das áreas contra as quais a Turquia prepara uma ofensiva, e que está cedendo o seu controle às forças governamentais.

"Convidamos as forças do governo sírio, que têm a obrigação de proteger o país, a nação e suas fronteiras, para que tomem controle das áreas das quais nossas forças estão se retirando, em particular Manbij, e de proteger essas áreas contra uma invasão turca", disse o grupo em comunicado.

As YPG asseguraram que, a partir de agora, se concentrarão em sua ofensiva contra o grupo terrorista Estado Islâmico (EI) na margem leste do rio Eufrates, perto da fronteira iraquiana.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH) informou ontem que "dezenas de veículos" com centenas de combatentes das forças leais a Assad chegaram aos arredores de Manbij.

O anúncio da saída das YPG de Manbij acontece dias depois que o presidente americano, Donald Trump, anunciou a retirada de suas tropas da Síria, que apoiam as milícias curdas na ofensiva contra o EI.

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, anunciou em 12 de dezembro que estava preparando uma ofensiva no norte da Síria contra as YPG, grupo que Ancara considera terrorista por seus vínculos com o PKK, a guerrilha curda ativa em território turco.

Os curdos controlam quase todo o nordeste da Síria e Ancara tem receios sobre a possibilidade de que eles consigam algum tipo de autonomia que tenha um impacto nas reivindicações dos cerca de 15 milhões de turcos de etnia curda.

A Turquia enviou tropas adicionais à fronteira com a Síria e para regiões do noroeste do país árabe, que são controladas por milícias pró-Turquia, especialmente nos arredores da cidade de Manbij, de onde Ancara insiste que as YPG deveriam se retirar.

Manbij é uma cidade estratégica na província de Aleppo, perto da fronteira turca, e é controlada pelas YPG desde 2016, quando as milícias expulsaram o EI da mesma com ajuda dos EUA e da coalizão internacional. EFE