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Compartilhar maquiagem com desconhecidos vira forma de negócio na China

31/01/2019 06h03

Jèssica Martorell.

Pequim, 31 jan (EFE).- Após escanear um código QR, a porta de uma cabine unipessoal se abre, e uma penteadeira com produtos de beleza de luxo se estende sobre a mesa, disponível para quem deseja retocar a maquiagem diante de uma urgência de beleza em pleno centro comercial de Pequim.

Esta é a nova e polêmica forma de negócio com a qual uma empresa chinesa pretende revolucionar o mercado dos cosméticos no gigante asiático, um dos maiores do mundo, oferecendo a oportunidade de compartilhar com desconhecidos produtos de beleza de alta qualidade.

Após pagar 28 iuanes (cerca de 3,5 euros), Fue Jie aproveita seu intervalo de almoço para desfrutar de 15 minutos neste minisalão de beleza. Primeiro retoca a maquiagem com pó, depois aplica rímel nos cílios e finalmente utiliza um batom para um toque de cor.

"É muito útil quando não tenho maquiagem e preciso ir a algum lugar e é importante. Por exemplo, quando tenho que ver meus clientes", comentou esta jovem de 28 anos após provar uma destas cabines de maquiagem em um shopping de Haidian, uma das áreas que concentra mais empresas de tecnologia na capital do país.

Maquiagem, sombra de olhos, cremes e batom de algumas marcas estrangeiras mais exclusivas estão ao alcance de qualquer um nesta pequena penteadeira, onde uma câmera de segurança monitora todos os movimentos dos clientes para evitar que ninguém caia na tentação de levar um destes caros produtos de beleza.

A criadora deste novo conceito, Han Shuqi, explicou à Efe que sua companhia quer promover "o conceito de compartilhar a maquiagem", algo novo no país asiático, onde outras iniciativas de serviço partilhado já triunfaram, como o aluguel de bicicletas, os carregadores para celulares e inclusive os guarda-chuvas.

"A nossa cabine ajuda a reduzir os gastos com maquiagem. Por exemplo, se alguém compra um batom e não gosta da cor, perde o dinheiro", disse.

Cada marca de cosmético paga 1,5 mil iuanes (195 euros) à sua empresa para poder expôr seus produtos na cabine, que funciona como provador, já que também incorpora um código ao lado de cada artigo que facilita sua compra caso a clientela deseje.

"Queremos promover as marcas nacionais, aquelas que não podem ser encontradas em shoppings (...) e criar uma plataforma para que os clientes possam provar marcas estrangeiras difíceis de encontrar nas lojas", acrescentou Hão.

Nas redes sociais chinesas, no entanto, muitos expressaram preocupação com os problemas de higiene que representa dividir produtos tão íntimos como um batom, assim como o alto custo deste serviço.

"Não é nada higiênico", criticou um usuário do Weibo - o Twitter chinês.

Outras pessoas opinaram que é mais rentável comprar os produtos de beleza em vez de compartilhá-los com desconhecidos.

Com relação às críticas, Han assegurou que sua empresa funciona como outras que promovem testes nos clientes para promover seus produtos.

"Estas marcas também não mudam os batons cada vez que maquiam alguém. Mesmo assim, tentamos oferecer a melhor experiência às nossas usuárias e fazer com que a limpeza esteja garantida", defendeu.

Embora seja um negócio incipiente, em Pequim já há nove cabines deste tipo em shoppings, academias e edifícios de escritórios, e o número de usuários diários é de 30, em média, segundo números da companhia.

Também em outras cidades grandes como Xangai, Wuhan e Guangzhou foram instaladas estas cabines, enquanto os planos de expansão da companhia ainda estão começando.

"Como Pequim e Xangai são cidades muito desenvolvidas, as pessoas não dão muita atenção às coisas novas como em outras cidades", explicou Han, que mira expandir o negócio para cidades menores. EFE