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Ex-chefe da inteligência militar venezuelana reconhece Guaidó como presidente

21/02/2019 19h36

Caracas, 21 fev (EFE).- Chefe da agência de inteligência militar na Venezuela durante o governo de Hugo Chávez, Hugo Carvajal reconheceu nesta quinta-feira o chefe da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, como presidente do país e criticou Nicolás Maduro.

"Presidente interino da República Bolivariana da Venezuela, Juan Guaidó Márquez, aqui está um soldado a mais pela causa da liberdade e da democracia, para ser útil na buscas de restabelecer uma ordem constitucional que nos permita convocar eleições livres", disse o general, que foi deputado chavista, em vídeo divulgado no Twitter.

Antigo aliado de Chávez, Carvajal criticou o governo de Maduro por não aceitar a ajuda internacional bloqueada na fronteira por militares e pediu que os integrantes das Forças Armadas não sigam as ordens do presidente e ajam com o coração.

Carvajal afirmou que o Exército está "subjugado" por diretrizes cubanas e que não têm capacidade de enfrentar nenhum inimigo.

"Como responsável por vigiar o estamento militar da Venezuela por mais de 10 anos, sinto o dever de ser claro com as nossas Forças Armadas. No dia de hoje, tecnicamente, não temos capacidade de enfrentar nenhum inimigo. Quem diz o contrário, mente", afirmou.

Para o ex-chefe da inteligência militar da Venezuela, os militares do país não estão alheios à realidade enfrentada pelo restante da população, também vivendo sem remédios e comida.

Carvajal também reprovou a atuação das forças de segurança leais a Maduro. Segundo ele, elas se tornaram instrumentos de "atropelos, humilhação, tortura e terror, tudo para cumprir, à margem da lei e com total impunidade, a estratégia repressiva desse governo".

O ex-chefe militar já tinha criticado a convocação da Assembleia Nacional Constituinte (ANC), formada apenas por governistas, e pediu que Maduro assuma a responsabilidade pela crise vivida no país, como Chávez fez na época do golpe de Estado contra si em 2002, quando 20 pessoas morreram nas ruas do país.

"Por outro lado, você (Maduro) assassinou centenas nas ruas, sem contar os mortos pela falta de remédios. Assuma miséria que você trouxe para nossa terra, assuma a crise humanitária, social, econômica e política", criticou Carvajal. EFE