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Justiça da Venezuela abre investigação contra Guaidó por apagão no país

12/03/2019 14h06

Caracas, 12 mar (EFE).- O procurador-geral da Venezuela, Tareq Saab, informou nesta terça-feira que abriu uma investigação contra o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, pela responsabilidade na crise elétrica que afeta o país desde quinta-feira da semana passada.

"O Ministério Público iniciou uma nova investigação contra o cidadão Juan Gerardo Guaidó Márquez por seu suposto envolvimento na sabotagem realizada contra o Sistema Elétrico Nacional (SEN)", disse Saab no Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela em Caracas.

O procurador explicou que este expediente se soma a outro que foi aberto em janeiro contra Guaidó devido à sua proclamação como presidente interino, uma medida que o opositor tomou com o apoio do Parlamento e de 50 países ao considerar que Nicolás Maduro "usurpa" a Presidência.

Saab apresentou como um fato "revelador" uma mensagem publicada por Guaidó em sua conta no Twitter duas horas depois de acontecer a falha elétrica, na qual disse: "A Venezuela está certa de que a luz vem com a cessação da usurpação".

Além disso, insistiu que o apagão, que afetou quase todo o país e ainda foi totalmente revolvido, "faz parte de uma escalada cada vez mais desesperada para derrubar um governo legitimamente constituído", em alusão ao Executivo de Maduro.

"Neste momento (Guaidó) aparece como um dos autores intelectuais desta sabotagem elétrica e deste chamado praticamente a uma guerra civil no meio desse blecaute elétrico que a nação venezuelana viveu", sustentou.

O procurador disse também que o chefe do Parlamento "praticamente de forma direta" instigou o roubo à propriedade privada junto a outros porta-vozes "alarmistas" e "escandalosos".

Saab também indicou que o Ministério Público tem "alguns detidos em lugares do país" por fatos violentos ocorridos desde que o serviço elétrico começou a falhar, mas não ofereceu maiores detalhes a respeito.

O Supremo impôs medidas cautelares a Guaidó que o proíbem de sair da Venezuela, mas o líder antichavista as burlou em fevereiro, quando realizou uma viagem por cinco países da América do Sul, tendo sido recebido com honras de chefe de Estado por governos que o reconhecem como tal. EFE