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Prioridade em vacinar políticos contra covid-19 causa indignação em Portugal

Prioridade em vacinar políticos contra covid-19 causa indignação em Portugal - PEDRO NUNES/REUTERS
Prioridade em vacinar políticos contra covid-19 causa indignação em Portugal Imagem: PEDRO NUNES/REUTERS

27/01/2021 15h53

O plano de vacinação de Portugal contra a Covid-19, que inclui altos funcionários no grupo de pessoas com mais de 50 anos com doenças de risco, provocou uma onda de críticas em um país dominado pela pandemia.

"Por imperativos éticos e morais, não estou disponível para receber a vacina". Assim começou a revolta de Cristóvão Norte, deputado do PSD (centro-direita), partido que lidera a oposição ao governo do socialista António Costa.

Foi a sua resposta ao plano de vacinação anunciado pelo governo, que prevê começar a imunizar políticos e funcionários do alto escalão a partir da próxima semana, dando-lhes prioridade sobre grupos que necessitam da vacina devido sua exposição à doença, como os professores.

Norte explicou aos meios de comunicação locais que não deseja ser imunizado contra Covid-19 antes que todos os idosos, profissionais da saúde e outros grupos essenciais na luta contra a pandemia, especialmente em um momento em que Portugal vem registrando recorde de mortes e tem de seus hospitais à beira do colapso.

"Cada vacina desviada para um propósito que não é essencial é mais uma vida que pode ser perdida", argumentou, sendo apoiado por vários políticos.

A indignação com a decisão do governo cresceu nas últimas horas, quando se soube em detalhes quais posições terão acesso prioritário à vacina.

Chefes de órgãos de soberania, Defensoria do Povo, membros do Conselho de Estado, magistratura do Ministério Público, das regiões autônomas e autarcas são alguns dos beneficiários, segundo a imprensa local.

"Faz sentido vacinar as três primeiras figuras do Estado (primeiro-ministro, presidente e presidente do Parlamento)", mas sobre as outras, disse o vice-presidente e deputado do PSD, Ricardo Batista Leite.

Também o único deputado do Partido Liberal, João Cotrim de Figueiredo, que escreveu ao presidente do Parlamento para não ser incluído no grupo prioritário, nem o líder do CDS democrata-cristão, Francisco Rodrigues dos Santos, que chama a ideia de "indefensável" e "péssimo exemplo".

"Se eu fosse incluído neste direito prioritário à vacinação, daria a minha vacina a um homem idoso", disse Rodrigues dos Santos, de 32 anos.

Entretanto, o dirigente do PSD, Rui Rio, recorreu ao Twitter para criticar o "exagero" de políticos que podem ser vacinados.

"(O plano de prioridade) não inclui médicos da iniciativa privada, mas se estende a todos os órgãos de soberania. Falta firmeza e bom senso", alertou.

Mas a crítica não vem apenas da direita. O Partido Comunista Português, tradicional aliado de Costa, classificou a lista de beneficiários como "excessiva" e seu líder, Jerónimo de Sousa, salientou que prefere receber sua dose pela idade (73 anos) do que pela seu status como político.

A ideia de vacinar os políticos com prioridade surge num momento em que a terceira onda ataca sobretudo o governo socialista português, com sete ministros com resultado positivo, cinco deles nos últimos 12 dias.

Além disso, este mês foram levantados alarmes no presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, de 72 anos, após vários exames com resultados contraditórios que o mantiveram isolado durante alguns dias, embora tenha finalmente sido confirmado um diagnóstico negativo.

Portugal, com cerca de 10 milhões de habitantes, começou a vacinar no dia 27 de dezembro com uma primeira fase que inclui profissionais da saúde da linha de frente e outros trabalhadores, na qual mais de 255 mil pessoas já receberam pelo menos a primeira dose.

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