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Estudo argentino revela alta resposta imune a uma dose da vacina Sputnik V

Uma análise global da resposta imunológica induzida pela vacina aponta que 94% mostraram a presença de anticorpos específicos após o recebimento de uma  dose - Luís Lima Jr./Fotoarena/Estadão Conteúdo
Uma análise global da resposta imunológica induzida pela vacina aponta que 94% mostraram a presença de anticorpos específicos após o recebimento de uma dose Imagem: Luís Lima Jr./Fotoarena/Estadão Conteúdo

13/04/2021 21h21

Buenos Aires, 13 abr (EFE).- Um estudo apoiado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e Inovação da Argentina revelou que a vacina Sputnik V produz uma alta resposta imunológica mesmo com uma única dose, conforme divulgado nesta terça-feira em um comunicado.

Uma análise global da resposta imunológica induzida pelo imunizante russo aponta que 94% mostraram a presença de anticorpos específicos após o recebimento de uma única dose, de acordo com o relatório.

O estudo também mostra que 96% das pessoas com menos de 60 anos de idade têm anticorpos 21 dias após a primeira inoculação. E essa taxa é de 89% naqueles com mais de 60 anos.

Entretanto, duas doses geram anticorpos em 100% dos vacinados, de acordo com a primeira etapa de um estudo longitudinal da Plataforma de Estudos Serológicos da província de Buenos Aires. A pesquisa foi realizada em 288 indivíduos vacinados, 61 dos quais estavam anteriormente infectados pelo coronavírus, em sete hospitais do setor público.

A vacina Sputnik V é aplicada em duas doses, cujos componentes são diferentes e com um prazo mínimo de 21 dias. Dada a escassez de vacinas e a chegada de uma segunda onda de contágio, o governo argentino decidiu adiar a segunda inoculação para três meses após a primeira para atingir o maior número possível de pessoas com mais de 70 anos de idade com uma primeira injeção, a fim de reduzir a mortalidade.

PREVIAMENTE INFECTADOS.

O trabalho também revelou que a quantidade de anticorpos em pessoas previamente infectadas que receberam uma única dose de Sputnik V é 4,6 vezes maior do que em voluntários que não haviam sido contagiados e receberam o cronograma de vacinação de duas doses.

"Se observarmos o grupo com exposição prévia ao vírus que foi incluído na análise, não foi observado aumento significativo no número de anticorpos quando a segunda dose foi administrada. Isso sugere que essa população não receberia um benefício adicional por receber uma segunda dose", declarou a líder da pesquisa, Andrea Gamarnik, chefe do Laboratório de Virologia Molecular da Fundação Instituto Leloir (FIL) e pesquisadora sênior do Conselho Nacional de Pesquisa Científica e Técnica (Conicet).

Para chegar a esses resultados, os pesquisadores recolheram amostras de plasma de voluntários dos funcionários da área da saúde antes da vacinação, 21 dias após a primeira dose e 21 dias após a segunda.

"Os resultados entre os infectados anteriormente apontam que a reativação do sistema imunológico contra uma dose da vacina Sputnik V resulta em níveis de anticorpos muito superiores aos desenvolvidos após duas doses em pessoas que não foram previamente confrontadas com o vírus", detalhou Jorge Geffner, integrante da equipe que fez o estudo e pesquisador sênior do Conicet no Instituto de Pesquisa Biomédica sobre Retrovírus e Aids (Inbirs).

INFECÇÃO VIRAL.

Os pesquisadores também testaram a capacidade dos soros de voluntários vacinados de neutralizar a infecção viral. "Detectamos anticorpos neutralizantes em mais de 90% das pessoas que receberam uma única dose da vacina", afirmou Gamarnik.

Foi observado que o estudo incluiu pela primeira vez um padrão internacional de anticorpos contra o coronavírus recentemente gerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o que facilita a comparação dos resultados obtidos em diferentes laboratórios utilizando diferentes tecnologias e vacinas.

"A quantidade de anticorpos neutralizantes no grupo previamente infectado era maior com uma dose do que no grupo sem infecção prévia após receber a segunda dose", completou a chefe da pesquisa. EFE