Chapecoense planeja velório coletivo; fãs fazem vigília, cantam e lotam estádio

Por Brad Haynes

CHAPECÓ (Reuters) - A Chapecoense está planejando um velório coletivo em seu estádio, nesta semana, após a morte de jogadores e da comissão técnica do clube em um acidente de avião na Colômbia nesta terça-feira, que levou milhares de torcedores a lotar a Arena Condá para fazer uma vigília e homenagear os mortos na tragédia.

O avião fretado que transportava o time da Chapecoense para a final da Copa Sul-Americana em Medellín caiu na Colômbia devido a uma pane elétrica, matando ao menos 71 pessoas e deixando seis feridos, entre eles três jogadores do clube, de acordo com informações atualizadas das autoridades colombianas.

"Nossa ideia é fazer um velório coletivo aqui no nosso querido estádio... porque todas as pessoas querem dar apoio, dar um abraço", disse o vice-presidente da Chapecoense, Ivan Tozzo.

As escolas de Chapecó, cidade catarinense com cerca de 210 mil habitantes, tiveram as aulas suspensas por dois dias, e o prefeito Luciano Buligon cancelou as festas de Natal como parte de 30 dias de luto.

Centenas de fãs vestidos com as cores verde e branco do clube se reuniram no estádio desde a manhã de terça-feira, e permaneceram grandes grupos nas arquibancadas até o final da tarde.

No início desta noite, esse número subiu para a casa dos milhares e os torcedores lotaram as arquibancadas do estádio e cantaram para homenagear as vítimas. Em dado momento, os torcedores gritaram "é campeão" dentro da Arena Condá.

"Passamos de um sonho a um pesadelo", disse o metalúrgico Fernando de Oliveira, que deixou o trabalho para trazer sua esposa e dois filhos para o estádio em uma demonstração de apoio.

Um mar de fãs encheu as ruas nos arredores da catedral no centro da cidade para uma missa vespertina antes de se deslocar em direção à Arena Condá.

Um lugar de homenagens improvisado do lado de fora do estádio estava repleto de camisas, flores e velas. Um cartaz resumia, nas letras de uma criança, a meteórica ascensão da equipe, que passou da Série D para a elite do futebol brasileiro em seis anos.

"Não cansou de subir e agora está no céu", dizia.

O presidente do Conselho Deliberativo da Chapecoense, Gelson Dalla Costa, afirmou que os médicos do clube estão a caminho de Medellín para auxiliar no reconhecimento dos cerca de 60 corpos que foram resgatados até agora.

Os demais jogadores e parentes de vítimas devem viajar na quarta-feira para São Paulo, onde farão a identificação final dos corpos, segundo o vice-presidente Tozzo.

Dos seis sobreviventes do acidente, Dalla Costa disse que o zagueiro Neto estava sendo submetido a cirurgia cerebral e o goleiro Jackson Follmann teve uma perna amputada. O terceiro jogador ferido é o lateral Alan Ruschel, que estava em condição estável, de acordo com a doutora Ana Maria González, diretora de uma clínica que os atendia.

"Em uma acidente dessa grandeza, nas primeiras 48 horas notícias podem acontecer", acrescentou o dirigente, sobre a saúde dos sobreviventes.

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