Para PF, Lula e Dilma tentaram atrapalhar investigações da Lava Jato

(Reuters) - A Polícia Federal encaminhou ao ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, relatório de inquérito atribuindo aos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff o crime de obstrução de Justiça.

A informação divulgada pelo site do jornal O Estado de S. Paulo foi confirmada à Reuters por uma fonte da PF, que pediu para não ser identificada e explicou que o relatório não está sendo divulgado.

A PF diz que a nomeação de Lula como ministro da Casa Civil pela então presidente Dilma, dando ao ex-presidente foro no STF, atrapalhava o avanço da investigação da Lava Jato.

Em nota, a defesa de Lula afirmou que a conclusão do delegado federal Marlon Oliveira Cajado dos Santos "é desprovida de qualquer fundamento jurídico e incompatível" com a decisão proferida no último dia 14 pelo ministro do STF Celso de Mello sobre a nomeação de Moreira Franco como ministro pelo presidente Michel Temer.

Mello disse que "a investidura de qualquer pessoa no cargo de ministro de Estado não representa obstáculo algum a atos de persecução penal que contra ela venham eventualmente a ser promovidos perante o seu juiz natural", lembra a defesa de Lula.

O advogado Alberto Toron, que faz a defesa de Dilma, disse que o relatório da PF "é faccioso e parcial, recheado de presunçosa autoridade policial".

"É importante ter claro que o fato de ter nomeado como ministro só tem uma consequência para a investigação que é a mudança de foro, isso não significa obstrução da Justiça", disse Toron. "Ou agora o STF é a anti-Justiça?"

O inquérito trata ainda da indicação do ministro Marcelo Dantas ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) por Dilma e a uma conversa gravada entre o então ministro Aloizio Mercadante e um assessor do então senador Delcídio do Amaral. No relatório, a Mercadante é atribuído o crime de tráfico de influência, além de obstrução de Justiça.

Nota divulgada pela defesa do ex-ministro afirma que os diálogos entre o petista e o então assessor "não retratam qualquer tentativa de obstrução da Justiça, mas um gesto de apoio pessoal".

(Reportagem de Lisandra Paraguassu)

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