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Parlamentares do Iraque veem visita surpresa de Trump como afronta à soberania

27/12/2018 11h15

BAGDÁ (Reuters) - Líderes políticos e de milícias do Iraque criticaram a visita surpresa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a soldados norte-americanos em solo iraquiano na quarta-feira, que viram como uma violação da soberania de seu país, e parlamentares disseram que uma reunião entre Trump e o primeiro-ministro, Adel Abdul Mahdi, foi cancelada devido a um desentendimento sobre o local.

Sabah al Saadi, líder do bloco parlamentar Islah, pediu uma sessão de emergência da legislatura "para debater esta violação descarada da soberania do Iraque e para deter estas ações agressivas de Trump, que deveria conhecer seus limites: a ocupação dos EUA no Iraque acabou".

O bloco Bina, rival do Islah no Parlamento e comandado pelo líder miliciano Hadi al-Amiri, apoiado pelo Irã, também se opôs à viagem de Trump ao Iraque.

"A visita de Trump é uma violação flagrante e clara das normas diplomáticas e mostra seu desdém e hostilidade no trato com o governo do Iraque", disse um informe do Bina.

O escritório de Abdul Mahdi disse em um comunicado que as autoridades dos EUA informaram a liderança iraquiana sobre a visita presidencial com antecedência. O comunicado disse que o premiê iraquiano e o presidente norte-americano conversaram por telefone devido a um "desentendimento sobre como realizar a reunião".

Parlamentares iraquianos disseram à Reuters que a dupla não concordou com o local onde o encontro planejado deveria ocorrer – Trump pediu que fosse na base militar de Ain al-Asad, proposta que Abdul Mahdi recusou.

A visita de Trump teve como pano de fundo uma escalada nas tensões entre Washington e Teerã, já que os EUA querem se contrapor à influência iraniana no Oriente Médio. A formação do governo do Iraque também está travada devido a uma discórdia crescente entre os blocos Islah e Bina.

Falih Khazali, ex-líder miliciano e hoje político aliado ao Bina, acusou os EUA de quererem aumentar sua presença no Iraque. "A liderança americana foi derrotada no Iraque e quer voltar de novo sob qualquer pretexto, e é isto que jamais permitiremos".

O Bina disse que a visita de Trump "coloca muitos pontos de interrogação na natureza da presença militar dos EUA e seus verdadeiros objetivos, e o que estes objetivos poderiam representar para a segurança do Iraque".

Embora não tenha mais havido episódios de violência em grande escala no Iraque desde que o Estado Islâmico sofreu uma série de derrotas no ano passado, cerca de 5.200 tropas dos EUA treinam e aconselham forças iraquianas ainda envolvidas em uma campanha contra o grupo militante.

(Por Ahmed Rasheed e Raya Jalabi)