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Índia endurece repressão na Caxemira; mais separatistas são detidos

24/02/2019 13h15

Por Fayaz Bukhari

SRINAGAR (Reuters) - Tropas indianas e a polícia prenderam mais de 160 ativistas e líderes separatistas, principalmente do partido islâmico Jamaat-e-Islami (JeI), durante duas noites de ataques na Caxemira e impuseram novas restrições à liberdade de movimento.

A repressão nas cidades e aldeias ocorre após um atentado suicida a bomba que matou 40 policiais paramilitares indianos em um comboio militar no dia 14 de fevereiro, reivindicado por outro grupo, o Jaish-e-Mohammed (JeM), com sede no Paquistão. 

A polícia diz que está cercando os separatistas para evitar problemas antes da eleição geral, que deve ocorrer em maio.

Autoridades detiveram mais 60 pessoas do Jamaat-e-Islami no sábado ou começo deste domingo, além de mais de 100 na noite anterior, disse um policial que pediu para não ser identificado.

"Como a JeI tem uma rede mais ampla em toda a Caxemira e está mobilizando protestos contra a Índia, a prisão deles pode ajudar a reprimir tais protestos antes das eleições", disse ele à Reuters.

Autoridades também estão detendo militantes, simpatizantes e pessoas ligadas ao JeM desde o ataque.

Os separatistas estão convocando uma greve para protestar contra as prisões e a repressão. Em resposta, muitas lojas, postos de gasolina e empresas fecharam, com menos pessoas e veículos nas ruas em áreas sensíveis, com exceção às patrulhas de tropas.

Em algumas partes da cidade de Srinagar, a principal da Caxemira, o governo restringiu o movimento de pessoas e veículos.

"As restrições foram impostas como medida de precaução para evitar qualquer incidente desfavorável", disse a polícia em um comunicado.

Houve também pelo menos uma operação militar durante o dia. Tropas cercaram Turigam, uma vila no distrito de Kulgam, na Caxemira do Sul, e em um tiroteio subsequente com militantes do JeC, um policial e um militante morreram, disse uma fonte policial. Pelo menos dois outros militantes ficaram presos dentro da vila, disse a fonte.

(Por Promit Mukherjee em MUMBAI)