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Candidato da França no Eurovisão, Bilal Hassani é ameaçado de morte

30/01/2019 12h14

Fenômeno midiático e representante da França no concurso Eurovisão, o cantor Bilal Hassani, de 19 anos, tornou-se alvo da violência na internet devido ao look queer que utiliza em suas performances. O jovem registrou uma denúncia na Justiça francesa por injúrias, incitação ao ódio e ameaças homofóbicas.

Fenômeno midiático e representante da França no concurso Eurovisão, o cantor Bilal Hassani, de 19 anos, tornou-se alvo da violência na internet devido ao look queer ...

Devido ao figurino que conjuga perucas, roupas femininas e maquiagem, Bilal Hassani enfrenta diariamente uma enxurrada de mensagens agressivas nas redes sociais. "Insuportável aos ouvidos e aos olhos", escreve um internauta em resposta a um post do cantor no Twitter. "Se ele ganhar o Eurovisão é somente porque é homossexual. Conchita Wurst, há alguns anos, foi a mesma coisa", escreve outro usuário.

Outros comentários, no entanto, chegam a ameaçar o cantor francês de morte. "Devemos matar todos os gays do mundo e esse em primeiro lugar", declara um internauta.  "Os gays e transexuais são mortos no islã. Que vergonha de você", afirma outro. "Bilal merecer morrer. Vamos pegar esse gay", diz outra mensagem.

A denúncia do jovem é apoiada por diversas associações que lutam contra a homofobia na França. Para o advogado do cantor, Étienne Deshoulières, esse tipo de comentário é "inadmissível". Ele lembra que os autores das agressões "correm o risco de serem condenados a 6 anos de prisão e € 45 mil de multa".

Aumento da homofobia na França

A iniciativa de Bilal Hassani coincide com o aumento da homofobia na França em 2018. Até a metade de janeiro deste ano, 213 denúncias de agressões online de cunho homofóbico estavam sendo julgadas em tribunais do país.

Para combater o problema, o Ministério francês da Educação lançou na segunda-feira (28) uma nova campanha de sensibilização contra a homofobia e a transfobia nas escolas de ensino médio e universidades do país. No ano passado, 18% dos alunos homossexuais ou transgêneros franceses declararam ter sido alvo de agressões, de acordo com uma pesquisa do Instituto Francês de Opinião Pública.

Em entrevista recente à rádio francesa France Inter, o próprio Bilal falou do preconceito que enfrentou quando pequeno. "A escola, sobretudo, foi uma época difícil. Meus colegas não eram nem um pouco gentis comigo, um menino que gostava de dançar e de cantar. No começo, eu não compreendia, achava que não gostavam de mim porque não gostavam de artistas. Pouco a pouco entendi que o fato de eu ser afeminado incomodava. Esse período foi bem complicado", lembra.