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Terrorismo neonazista: atirador queria "um massacre" e Merkel promete "tolerância zero" na Alemanha

10/10/2019 11h31

A chanceler alemã Angela Merkel prometeu nesta quinta-feira (10) lutar contra o extremismo de direita no dia seguinte ao tiroteio antissemita na cidade Halle, na Alemanha.  A justiça diz que o atirador visava "cometer um massacre" na comunidade judaica.

A chanceler alemã Angela Merkel prometeu nesta quinta-feira (10) lutar contra o extremismo de direita no dia seguinte ao tiroteio antissemita na cidade Halle, na Alemanha.  A justiça diz que o atirador visava "cometer um massacre" na comunidade judaica.

"É necessário usar todos os meios do Estado para combater o ódio e a violência", declarou a chanceler alemã Angela Merkel em Nuremberg, na Alemanha, na prometendo uma "tolerância zero".

O ataque conduzido e filmado por um extremista de direita alemão de 27 anos, fortemente armado, matou duas pessoas e foi transmitido ao vivo por 35 minutos em uma plataforma da Internet.

Terrorismo neonazista

Mas o resultado do ataque poderia ter sido muito mais trágico se a porta dupla da sinagoga, onde cerca de 80 fiéis estavam rezando durante Yom Kippur, o maior festival religioso judaico, não tivesse resistido aos tiros do agressor. O jovem "pretendia cometer um massacre", disse, nesta quinta-feira, o promotor antiterrorista Peter Frank.

"O que aconteceu ontem foi terrorismo", acrescentou Frank. O promotor revelou ainda que quatro quilos de explosivos caseiros foram encontrados no carro do agressor, identificado na mídia alemã como Stephan Bailliet.

Ele teria agido sozinho, segundo a polícia. Sem poder entrar na sinagoga, Bailliet matou um transeunte e o cliente de um restaurante turco nas proximidades a esmo, antes de ser parado pela polícia após uma perseguição de carro.

"Precisamos proteger os judeus na Alemanha", disse nesta quinta-feira o chefe do Estado alemão, presidente Frank-Walter Steinmeier, espécie de consciência moral do país. Sua declaração visava os críticos da comunidade judaica, que não se considera suficientemente protegida.

"Vergonha"

O bombardeio de Halle é "um dia de vergonha para a Alemanha, 75 anos após o Holocausto", reconheceu o presidente alemão, que discursou na frente da sinagoga em Halle. O agressor usou como modelo o australiano de extrema direita responsável por atacar duas mesquitas na Nova Zelândia, em março deste ano. Ele também publicou antes do ataque um "manifesto" antissemita, no qual expressava seu objetivo de "matar o maior número possível de anti-brancos, de preferência judeus".

Stephan Bailliet foi descrito por seus parentes como solitário, ainda morando com sua mãe, e obcecado pela Internet. "Ele não estava em paz nem consigo mesmo nem com o mundo; sempre culpou os outros", disse seu pai ao jornal Bild. Dizimada pelo Holocausto, a comunidade judaica alemã cresceu na Alemanha com a chegada, desde o início dos anos 90, de muitos judeus da ex-URSS.

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