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Colômbia: Justiça investiga vala com 50 supostas vítimas de execução por militares

15/12/2019 16h39

A Jurisdição Especial de Paz (JEP) na Colômbia escava um cemitério onde, de acordo com uma fonte militar, existe uma vala comum com "mais de 50 civis" executados por soldados, que os fizeram passar por rebeldes mortos em combate, informou o tribunal responsável pelo caso no sábado (14).

A Jurisdição Especial de Paz (JEP) na Colômbia escava um cemitério onde, de acordo com uma fonte militar, existe uma vala comum com "mais de 50 civis" executados por soldados, que os fizeram passar por rebeldes mortos em combate, informou o tribunal responsável pelo caso no sábado (14).

A descoberta de uma vala comum com mais de 50 supostas vítimas de execuções extrajudiciais do Exército abalou a Colômbia e reviveu fantasmas. "É importante observar que esses fatos nunca foram investigados pela justiça comum", disse a Jurisdição Especial de Paz (JEP), que lida com as piores violações de direitos humanos cometidas durante o conflito armado com a guerrilha dissolvida das FARC.

Militar levou investigadores até o cemitério

Um militar que decidiu colaborar com o tribunal que surgiu do acordo de paz de 2016 levou os investigadores ao cemitério Las Mercedes, no município de Dabeiba, no departamento de Antioquia (noroeste).

Presume-se que "haveria restos de mais de 50 pessoas legitimamente apresentadas como baixas em combate", afirmou o JEP em comunicado. Este mês eles já foram exumados "sete corpos completos". Para a agência seriam "execuções extrajudiciais seguidas de desaparecimento forçado".

Em Las Mercedes, a mais de 170 quilômetros de Medellín, homens entre 15 e 56 anos de idade da cidade, capital do departamento de Antioquia, foram enterrados, de acordo com as evidências coletadas pelo JEP. Os supostos crimes aumentariam o registro do que é conhecido na Colômbia como "falsos positivos", as execuções extrajudiciais de pelo menos 2.248 pessoas nas últimas décadas.

59% dessas mortes ocorreram entre 2006 e 2008 sob o governo do ex-presidente Álvaro Uribe. A prática consistia basicamente em uma "contagem de corpos" premiada: contar corpos para aumentar as realizações do Exército. Dezenas de jovens foram enganados com promessas de emprego, deslocados de seus territórios e levados para serem mortos pelo exército colombiano, disfarçados de guerrilheiros das FARC.

O governo de Uribe demitiu altos funcionários na época e modificou as diretrizes de guerra para evitar novas execuções.

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