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Moda : maratona da Fashion Week é retomada e tenta encontrar novo formato após pandemia

12/09/2020 18h48

Começa oficialmente em Nova York nesse domingo (13) a temporada de desfiles das coleções de prêt-à-porter primavera-verão 2021. A maratona, que passa ainda por Londres e Milão, antes de terminar em Paris em 6 de outubro, vai misturar desfiles tradicionais com apresentações virtuais, em uma tentativa de encontrar um novo formato para um evento que depende do público diante das passarelas, com a presença dos compradores, jornalistas e influenciadores. Mas essa Fashion Week também está sendo vista como uma prova de fogo para aqueles que se perguntam se os desfiles ainda servem para algo.

Começa oficialmente em Nova York nesse domingo (13) a temporada de desfiles das coleções de prêt-à-porter primavera-verão 2021. A maratona, que passa ainda por Londres e Milão, antes de terminar em Paris em 6 de outubro, vai misturar desfiles tradicionais com apresentações virtuais, em uma tentativa de encontrar um novo formato para um evento que depende do público diante das passarelas, com a presença dos compradores, jornalistas e influenciadores. Mas essa Fashion Week também está sendo vista como uma prova de fogo para aqueles que se perguntam se os desfiles ainda servem para algo.

Quando se fala em impacto econômico da pandemia de Covid-19, os setores mais citados geralmente são o turismo, a aviação, ou ainda os restaurantes e eventos culturais. Mas essa lista não estaria completa sem o mundo da moda. Afinal, mesmo se pode parecer superficial para alguns, a indústria global da moda é estimada em mais de US$ 2,5 trilhões e emprega 430 milhões de pessoas no mundo. Na França, ela pesa mais do que os setores automobilístico e da aviação reunidos, segundo dados do Instituto Francês da Moda (IFM).

Mas com a pandemia, as coleções de primavera encalharam no hemisfério norte, já que a população estava confinada e a última coisa na qual se pensava era em comprar roupas. Aliás, diante da mudança de paradigma ligada à banalização do trabalho à distância em muitos setores, quem se preocupava em se vestir bem quando o uniforme profissional para muitos era o bom e velho pijama? Aqueles que tinham reuniões via Zoom, Teams ou GoogleMeet ainda faziam um esforço - pelo menos da cintura para cima - para não passar vergonha diante da câmera. Jornalistas especializados chegaram a fazer matérias sobre "a camisa do Zoom" (aquela que você deixa pendurada na cadeira, pronta para as reuniões).  

Fashion Week: termômetro do setor

Na indústria da moda, a temporada de desfiles continua sendo um bom termômetro para o setor. E com a pandemia de Covid-19 não foi diferente. Os primeiros casos do novo coronavírus surgiram na Europa em plena Fashion Week em fevereiro e, imediatamente, alguns desfiles foram adiados, algo raro nessa indústria do show must go on e na qual a aceleração, embalada pela fast fashion, virou norma. Estilistas como Giorgio Armani apresentaram suas coleções em salas vazias, preferindo deixar os convidados do lado de fora, saboreando o espetáculo nas telas de seus telefones.

A partir daí, tudo começou a mudar e a indústria da moda teve que se mostrar ainda mais criativa. Dior, por exemplo, apresentou em julho seus modelos em um formato miniatura que lembrava o início da alta-costura no século 19, quando o criador da tradição das apresentações da moda sob medida, o inglês Charles Frederick Worth, já confeccionava suas criações em bonecas que eram enviadas para as melhores clientes.

Durante a temporada de desfiles alta-costura, mas também de moda masculina, que aconteceu um julho, alguns usaram e abusaram das apresentações em vídeo. Instagram, rede social preferida do setor do mundo da moda, até tentou monopolizar a ideia, lançando o projeto de uma Fashion Week dentro de sua plataforma. Mas no final, cada marca preferiu se virar sozinha.

A editora de moda Carine Roitfeld, sempre antenada, organizou para o salão italiano Pitti um desfile a partir da casa das modelos, no qual cada uma se vestia, se filmava e o resultado foi mostrado no youtube. Uma iniciativa que distraiu os fãs de moda nos duros meses de quarentena, marcando uma temporada foi a dos desfiles virtuais.

September Issue

Mas o mês de setembro chegou, e com ele a Fashion Week mais importante da temporada, quando as principais propostas do ano são apresentadas pelas marcas, as revistas especializadas publicam suas edições especiais e que as campanhas publicitárias mais esperadas são veiculadas. Resumindo: acabou a brincadeira e as marcas tiveram que decidir se retomavam o ritual dos desfiles ou se repensavam sua maneira de trabalhar. Principalmente porque já há alguns anos esse modelo vem sendo questionado, inclusive por seu impacto ecológico, com desfiles monumentais que duram alguns minutos. 

Os organizadores do Big Four, como são chamadas as quatro principais Fashion Weeks (Nova York, Londres, Milão e Paris), quebraram a cabeça, mas finalmente decidiram manter o calendário. No entanto, o programa ainda segue incerto e bastante híbrido.

Em Nova York, por exemplo, a "semana da moda" passará de seis para quatro dias e meio e terá apenas 40 marcas desfilando - com a ausência de nomes importantes, como Marc Jacobs e Proenza Schouler. A Fashion Week que dá o pontapé inicial na maratona terá em seu primeiro dia um dos poucos desfiles "de verdade", com Jason Wu, que se apresenta no teto de um prédio. Como o governador Andrew Cuomo impôs que todos os eventos fossem realizados ao ar livre e limitados a 50 convidados, um show no telhado não parece uma má ideia. Mas de uma maneira geral, quem quiser acompanhar os desfiles na Big Apple terá mais chances indo ao Runway 360, uma plataforma digital lançada em julho pelo Conselho dos Designers de Moda da América (CFDA na sigla em inglês), que vai reunir boa parte dos vídeos das apresentações.

Em Londres, os organizadores decidiram apostar em uma Fashion Week mista, com coleções masculinas e femininas. A capital britânica, que propôs uma semana de desfiles totalmente virtual em junho, decidiu voltar às apresentações convencionais. Porém, menos de dez marcas aceitaram o desafio. Até gigantes como Burberry, que abre a programação no dia 17, decidiram se apresentar diante de uma plateia vazia e transmitir tudo ao vivo, pela internet.

Milão, que começa dia 22, e que também havia proposto uma Fashion Week virtual em julho, vai misturar desfiles online e "presenciais". Fendi, Dolce & Gabbana, Armani devem respeitar a tradição, enquanto nomes como Missoni, Philipp Plein, preferiram não correr o risco e desfilam virtualmente. Valentino, dirigida por Pierpaolo Piccioli, e que sempre se apresenta em Paris, decidiu, em um ímpeto nacionalista ou em um simples ato de bom senso, ficar em Milão nesta temporada.

A partir de 28 de setembro, Paris segue os passos a rival italiana, com uma mistura de apresentações online et "presenciais". Os organizadores também lançaram uma plataforma digital que reunirá as transmissões. Mais de 80 maisons desfilam na capital francesa, inclusive algumas marcas que se apresentam pela primeira vez no calendário oficial. Ironia ou não, uma delas se chama Enfants Riches Déprimés (Crianças ricas deprimidas), o que pode dar o tom da temporada.

Já a marca Saint Laurent se rebelou e disse que não iria mais ser refém do calendário da Fashion Week e passaria a desfilar no momento em que se sentisse pronta. Oportunismo para alguns, ato de rebeldia para outros, o que o diretor artístico Anthony Vaccarello decidiu não foi muito diferente do que Azzedine Alaïa fez durante praticamente toda a sua carreira, quando desfilava apenas quando dava na telha. Porém, em tempos de pandemia, a memória fashion foi meio afetada e qualquer anúncio ganhou ares de novidade.