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Reino Unido e família real britânica dão último adeus ao príncipe Philip

17/04/2021 12h42

Em uma cerimônia privada e limitada a cerca de 30 pessoas, devido à pandemia de Covid-19, a família real e os britânicos deram seu último adeus ao príncipe Philip neste sábado (17). O duque de Edimburgo faleceu há oito dias e completaria 100 anos no próximo 10 de junho.

Em uma cerimônia privada e limitada a cerca de 30 pessoas, devido à pandemia de Covid-19, a família real e os britânicos deram seu último adeus ao príncipe Philip neste sábado (17). O duque de Edimburgo faleceu há oito dias e completaria 100 anos no próximo 10 de junho.

O duque de Edimburgo foi sepultado no panteão real do Castelo de Windsor, oeste de Londres, após uma vida dedicada à monarquia e à rainha Elizabeth II, durante 73 anos de casamento. 

O cortejo, de oito minutos de duração, começou às 14h45 locais (10h45 em Brasília) com saudações de honra e o toque do sino na torre do castelo. O translado do caixão foi realizado em um Land Rover, que teve o design adaptado pelo próprio Philip, seguido a pé pelos membros mais próximos da família real - incluindo seus quatro filhos, Charles, Andrew, Edward, e a princesa Anne - além dos netos William e Harry, filhos do primogênito. Em outro automóvel, o Bentley da família, a rainha, vestida inteiramente de preto, foi transportada até a Capela de São Jorge, no Castelo de Windsor.

Logo depois, às 15h locais (11h em Brasília), o Reino Unido observou um minuto de silêncio. A pausa em memória do duque de Edimburgo coincidiu com o momento em que o caixão estava na escadaria da Capela de São Jorge. O arcebispo de Canterbury, Justin Welby, líder espiritual dos anglicanos, e o reitor de Windsor recebeu os restos mortais do príncipe Philip na entrada do local. 

Dentro da capela, as cornetas tocaram "The Last Post", tema utilizado em funerais militares britânicos, e "Action Stations", sinal que chama os marinheiros aos seus cargos. As melodias foram entoadas a pedido do próprio duque de Edimburgo, que serviu na Marinha Real durante a Segunda Guerra Mundial.

Apenas 30 pessoas puderam assistir à cerimônia - entre elas, os príncipes William e Harry. O evento foi realizado no estrito respeito das regras sanitárias e todos os participantes utilizaram máscara. O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, não assistiu à cerimônia. 

Por volta das 15h50 locais, (11h50 em Brasília), o caixão do príncipe Philip foi colocado à cripta real da Capela de São Jorge. Seus restos mortais permanecerão no local até o falecimento da rainha. O casal será então reunido e levado ao Memorial do Rei George VI, pai de Elizabeth II. 

Philip não quis funeral de Estado

Apesar dos rigores do protocolo nacional, o duque de Edimburgo não quis um funeral de Estado e seu pedido foi respeitado. Menor do que a prevista, a cerimônia seguiu os desejos do consorte, segundo o Palácio de Buckingham. 

A rainha teria tido dificuldades para montar a lista de participantes. No entanto, ela fez questão de incluir representantes de todos os ramos da família do marido.

Os britânicos puderam assistir à cerimônia pela televisão. Em circunstâncias normais, o acesso do público seria diferente, como aconteceu em 2002, quando da morte da rainha-mãe, Elizabeth. Ela foi enterrada em um serviço privado em Windsor depois de cerimônia na abadia de Westminster, que contou com a presença de 60 reis, rainhas e membros da realeza, além de autoridades nacionais e estrangeiras. A cerimônia foi acompanhada por cerca de um milhão de pessoas do lado de fora da abadia e em todo o caminho até Windsor.

Desde a morte de Philip, no último dia 9 de abril, representantes da realeza e autoridades pedem ao público que evitem aglomerações em frente às residências da família. No entanto, desde o último sábado (10), centenas de pessoas deixam cartões e flores diante do Castelo de Windsor, onde o duque de Edimburgo morreu, e do palácio de Buckingham, no coração da capital britânica, a residência oficial do casal.

A rainha Elizabeth II e o marido passaram a maior parte do lockdown em Windsor. Nos últimos dias, a pequena cidade histórica viu um aumento expressivo do movimento de curiosos e fãs da realeza, assim como do policiamento, que foi reforçado. Na página da família real na internet, pede-se que as pessoas prestem suas últimas homenagens ao príncipe com doações a instituições de caridade em vez de gastar dinheiro com flores. Um livro de condolências online foi disponibilizado.

Comentários racistas e misóginos

Aos 99 anos, Philip se recuperava de uma cirurgia cardíaca realizada no início de março, que o manteve por quase um mês no hospital. Segundo fontes ouvidas pela mídia britânica, ele teria morrido dormindo, ao lado da rainha. Figura controversa por comentários inapropriados, muitos considerados racistas e misóginos, o príncipe era querido pelos britânicos: 15% da população apontou o consorte como seu personagem preferido da família real, segundo pesquisa Ipsos Moris.

A família real observará um período de duas semanas de luto. Se participarem de compromissos oficiais, seus integrantes deverão usar tarjas pretas no braço. Já o período de luto nacional acaba logo após o funeral. Desde a morte de Philip, bandeiras a meio mastro tremulam pelo Reino Unido. Outdoors e cartazes com a imagem do Duque de Edimburgo também ganharam o país. 

Filho mais novo de Charles, o príncipe Harry desembarcou em Londres, vindo dos Estados Unidos, no último domingo (11). Ele obedeceu a uma quarentena obrigatória de 10 dias, de onde pôde sair para o funeral, como prevê a lei britânica. Harry deixou os afazeres oficiais reais no ano passado e mudou-se com a mulher, a atriz americana Meghan Markle, para Los Angeles, onde moram com o filho Archie. 

Por ordens médicas, Meghan, que está grávida de um menina, não viajou. Esta é a primeira vez que Harry volta ao Reino Unido desde que deixou o país. É também a primeira vez que se reúne à família desde que concedeu, com a esposa, uma entrevista bombástica à TV americana na qual um integrante da Casa dos Windsors, cujo nome não foi revelado, foi acusado de racismo.