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Participação do Brasil na Feira do Livro de Frankfurt é 100% virtual pelo segundo ano consecutivo

21/10/2021 13h04

A Feira do Livro de Frankfurt, o maior evento editorial do mundo, volta a ser realizada este ano presencialmente, depois de uma edição 100% digital em 2020 por conta da pandemia. Mas o Brasil participará apenas virtualmente da edição 2021, que acontece até o próximo domingo (24) com algumas restrições sanitárias.

A 73ª Feira do Livro de Frankfurt começou na quarta-feira (20), homenageado a literatura do Canadá. A presença do público é limitada a 25 mil pessoas por dia, metade das edições normais. O passaporte sanitário é exigido a todos os visitantes e a participação de editoras de todo o mundo é reduzida.

Há alguns anos, o Brasil sempre marcava presença no evento com um estande organizado pela Brazilian Publishers, uma parceria entre a Câmara Brasileira do Livro (CBL) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). Mas este ano, o país participa pela segunda vez apenas virtualmente.

"O Brasil optou por essa participação virtual porque ainda tem muita restrição de viagem para a Europa, principalmente na Alemanha. Queríamos manter a visibilidade, infelizmente ainda não presencialmente, mas estamos mostrando tudo o que a gente tem para oferecer", explica Fernanda Dantas, gerente executiva do Brazilian Publishers.

Frankfurt é a oportunidade para as editoras do mundo inteiro se encontrarem, promoverem seus autores e livros para tentar vender os direitos autorias no mercado editorial internacional. Fernanda Dantas não acredita que essa segunda participação online irá limitar os negócios.

"A participação virtual é diferente. O mercado editorial é pautado pela relação pessoal, de confiança. Porém, no momento em que isso não é viável, o mercado se adaptou muito bem ao digital. Não que vá substituir ou substitua o presencial, é uma alternativa", acredita.

Expectativa positiva

No ano passado, a venda de direitos autorais em Frankfurt despencou. Os contratos firmados na feira giraram em torno de US$ 250 mil, um volume cinco vezes menor do que nos eventos presenciais. O programa de fomento às exportações de conteúdo editorial brasileiro espera um melhor desempenho este ano. "A gente foi aprendendo a fazer o negócio digital, a apresentar nosso produto virtualmente. A expectativa esse ano é um resultado melhor do que no ano passado, até porque os mercados estão um pouco mais aquecidos, mas ainda distantes dos resultados que a gente costumava obter na feira presencial", antecipa Fernanda Dantas.

A participação virtual do estande brasileiro não inclui no programa oficial da feira nenhum encontro com online com escritores brasileiros. Mas representantes de editoras participam de Masterclass e outros espaços. A editora brasileira Skeelo, por exemplo, apresentou uma estratégia de distribuição de livros digitais pelo celular, que segundo a gerente executiva do Brazilian Publishers é "um modelo totalmente inovador de negócios" que gerou grande interesse.

De acordo com Fernanda Dantas, os autores clássicos brasileiros, como Clarice Lispector ou Machado de Assis, continuam fazendo sucesso no exterior, mas autores contemporâneos também têm emplacado.

"A gente tem uma literatura contemporânea muito forte e que está sendo reconhecida internacionalmente, nomes como Julián Fuks ou Itamar Vieira Junior. É muito bom, muita gente jovem produzindo poesia, conto, romance, não ficção. O Brasil tem começado a ser reconhecido por essa produção de conteúdo de qualidade", diz Fernanda Dantas.

O Brazilian Publishers, que representa 58 editoras brasileiras, já faz planos para uma participação presencial em Frankfurt no ano que vem.