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"Minha França, é Joséphine", disse Macron na cerimônia de entrada de Joséphine Baker no Panteão

30/11/2021 18h14

A franco-americana Joséphine Baker, artista e figura da resistência francesa contra a ocupação nazista e da luta antirracista, se tornou a primeira mulher negra a entrar no Panteão da França nesta terça-feira (30). A uma cerimônia, presidida por Emmanuel Macron, aconteceu 46 anos após sua morte.

A franco-americana Joséphine Baker, artista e figura da resistência francesa contra a ocupação nazista e da luta antirracista, se tornou a primeira mulher negra a entrar no Panteão da França nesta terça-feira (30). A uma cerimônia, presidida por Emmanuel Macron, aconteceu 46 anos após sua morte.

A cerimônia, no templo "Aos grandes homens" localizado no coração do Quartier Latin de Paris, recordou os múltiplos aspectos da "incrível vida" de Joséphine Baker, inteiramente voltada "à busca pela liberdade e justiça", segundo a Presidência francesa.

O caixão, carregado por aviadores, entrou no Panteão depois de percorrer um longo tapete vermelho. O caixão não continha os restos mortais de Joséphine Baker e sim, simbolicamente, a terra dos quatro lugares que marcaram a sua vida: a cidade natal de Saint Louis, nos Estados Unidos, Paris, o castelo de Milandes, onde morou, e Mônaco. Seu corpo continuará enterrado no cemitério de Mônaco, no mesmo túmulo do marido e de um de seus filhos.

A cerimônia em Paris foi assistida por 8.000 espectadores e acompanhada por nove de seus 12 filhos, todos adotivos. Imagens da artista, resistente e ativista negra foram projetadas na fachada do Panteão ao som de várias músicas interpretadas por ela, como a famosa "J'ai deux amours", antes do discurso de Emmanuel Macron.

"Minha França, é Joséphine", lançou o presidente francês. Ele saldou uma "heroína de guerra, combatente, dançarina e cantora », uma "mulher negra defendendo os negros, mas antes de mais nada uma mulher defendendo o ser humano", completou Macron.

Nome de estação de metrô

O dia começou com a mudança de nome da estação de metrô de Paris "Gaîté", que a partir de agora também se chama "Joséphine Baker". "É um orgulho", disse Luis Bouillon-Baker, um de seus filhos. "Esta manhã é de alegria e emoção. Amanhã será memorável", disse ontem seu filho Brian Bouillon-Baker à rádio France Inter, destacando que sua mãe, nascida nos Estados Unidos e nacionalizada francesa, é um exemplo da "fraternidade universal".

Joséphine Baker nasceu em 3 de junho de 1906 em Saint Louis. Cresceu na pobreza e na segregação, se casou duas vezes aos 15 anos, mas conseguiu superar as dificuldades iniciais e ter uma vida excepcional. Ela teve um grande sucesso como artista na França durante os "Anos Loucos" e aproveitou a fama para trabalhar como agente de contraespionagem para o general Charles de Gaulle durante a ocupação nazista.

Após a Segunda Guerra Mundial, participou da luta contra o racismo, sendo a única mulher a fazer um discurso com Martin Luther King em 28 de agosto de 1963, durante uma marcha pelos direitos civis em Washington. "A França me tornou o que sou e serei eternamente grata", disse a artista ao oferecer seus serviços no outono de 1939 a um oficial da contraespionagem.

Joséphine Baker morreu no dia 12 de abril de 1975, aos 68 anos, três dias após ter voltado aos palcos para festejar seus 50 anos de carreira.

Mensagem política?

Com a entrada desta artista atípica no Panteão, reservado quase exclusivamente aos homens - políticos, heróis de guerra ou escritores - Macron rompe com o perfil habitual dos "imortais", menos de cinco meses antes da eleição presidencial.

A escolha de Baker se conecta com as lutas recentes por maior visibilidade e defesa dos negros e mulheres na esfera pública, mas o Palácio do Eliseu garantiu que não há mensagem política por trás da homenagem.

(Com AFP)