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Argentina anuncia acordo "razoável" com o FMI para refinanciar dívida

28/01/2022 12h32

O presidente Alberto Fernández anunciou nesta sexta-feira (28) que a Argentina chegou a um acordo financeiro com o Fundo Monetário Internacional (FMI) que "não restringe, não limita nem condiciona", que "não impõe um déficit zero" e que "não obriga a reformas".

O presidente Alberto Fernández anunciou nesta sexta-feira (28) que a Argentina chegou a um acordo financeiro com o Fundo Monetário Internacional (FMI) que "não restringe, não limita nem condiciona", que "não impõe um déficit zero" e que "não obriga a reformas".

Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires.

O governo argentino anunciou um programa econômico de dois anos e meio que refinancia a dívida de US$ 44,5 bilhões de dólares com o FMI.

"Quero anunciar-lhes que a Argentina chegou a um acordo com o Fundo Monetário Internacional", abriu Alberto Fernández a sua mensagem gravada a partir da residência presidencial, divulgada pela rede nacional de TV.

"Sofríamos um problema; agora temos uma solução. Tínhamos uma corda no pescoço; agora temos um caminho que podemos percorrer. Com este acordo, podemos organizar o presente e construir o futuro", apontou o presidente em tom de vitória.

Alberto Fernández enfatizou que as condições do acordo não "condiciona o desenvolvimento" do país.

"Não restringe, não limita nem condiciona os direitos dos aposentados. Não nos obriga a uma reforma trabalhista. Não nos impõe chegar ao déficit zero. Não relega o nosso gasto social. Também não determina uma desvalorização (da moeda)", citou Fernández.

"Poderemos exercer a nossa soberania e conduzir as nossas políticas de crescimento, de desenvolvimento e de justiça social", celebrou.

O acordo será elevado ao Congresso Nacional para ser aprovado pela maioria das forças políticas. Paralelamente, o acordo deverá ser aprovado pela diretoria do FMI em Washington para a sua entrada em vigor.

Mercado responde bem a acordo

O entendimento chega no mesmo dia em que a Argentina precisa desembolsar ao FMI uma parcela de US$ 718 milhões do principal da dívida. Na próxima terça-feira, outros US$ 368 milhões de dólares em juros. No total, US$ 1,086 bilhão que deixariam o país mais vulnerável, reduzindo as reservas internacionais para apenas US$ 400 milhões de dólares nas .

O Banco Central da Argentina contabiliza US$ 38,5 bilhões de dólares em reservas internacionais, mas a quase totalidade desse montante são títulos, seguros, depósitos compulsórios, ouro e outros instrumentos financeiros sem liquidez imediata. De dinheiro líquido, disponível para intervir no mercado, a Argentina só possui US$ 1,5 bilhão de dólares.

O anúncio do acordo acontece na abertura do mercado financeiro, levando as ações das empresas argentinas a subirem mais de 10% no começo do pregão, reduzindo as perdas dos últimos dias.

A taxa de risco país caiu abaixo de 1.900 pontos-base, depois de rondar os 2.000 pontos nos últimos dias, quando o mercado trabalhava com a possibilidade de uma moratória da dívida por falta de reservas no Banco Central.