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Longa de James Gray, produzido pelo brasileiro Rodrigo Teixeira, entra na competição em Cannes

19/05/2022 13h28

Nesta quinta-feira (19), o filme "Armageddon Time", de James Gray, entra na competição pela Palma de Ouro no Festival de Cannes. O longa americano é produzido pelo brasileiro Rodrigo Teixeira, da RT Features, que desponta como um dos principais nomes de Hollywood atualmente.

Nesta quinta-feira (19), o filme "Armageddon Time", de James Gray, entra na competição pela Palma de Ouro no Festival de Cannes. O longa americano é produzido pelo brasileiro Rodrigo Teixeira, da RT Features, que desponta como um dos principais nomes de Hollywood atualmente.

Adriana Brandão, enviada especial ao Festival de Cannes

"Armageddon Time" é um filme autobiográfico, focado na juventude de James Gray em Nova York nos anos 1980, no momento da chegada de Ronald Reagan ao poder. Ele conta a história de um adolescente judeu, segundo filho de uma família de classe média baixa. Todo o investimento da família vai para o primogênito. O segundo filho, sonhador, estuda em uma escola pública até ser expulso e ser finalmente enviado a uma escola privada do Queens, dirigida por Fred Trump, pai de Donald Trump.

Segundo Rodrigo Teixeira, o filme fala de um tema muito presente atualmente. "É um filme sobre o racismo. Todo mundo sofre racismo nos Estados Unidos em alguma escala; o latino, o negro, o judeu, todo mundo sofre. O filme se passa em um momento que os EUA saiam do (governo do) Jimmy Carter, democrata, e vem o Ronald Regan e a volta de um país mais conservador", conta o produtor.

Armageddon Time questiona, mais uma vez, o sonho americano. O longa é estrelado por Anne Hathaway, Anthony Hopkins e Jeremy Strong. Ele marca a volta de James Gray a Cannes, nove anos depois de sua participação com "A Imigrante". Cannes aprecia a obra do diretor americano, selecionado pela quinta vez na disputa pela Palma de Ouro.

Expectativa de prêmios

Ele é um "cineasta autoral e independente", ressalta Rodrigo Teixeira, "muito mais reconhecido na Europa do que nos Estados Unidos. O grande público americano não conhece porque ele não se rendeu a fazer filme para o grande público". Alguns críticos colocam "Armageddon Time" na lista dos favoritos, mas o produtor brasileiro prefere não ter expectativa: 

"Aprendi com o tempo a não ir a Cannes com expectativa. Se eu ganhar é lucro. Eu já estou na competição, batalhei muito para isso. Há dois anos seguidos, tem filme da RT em competição em Cannes. A minha produtora, eu considero, ganhou três dos quatro principais prêmios de Cannes. Só falta um, a Palma de Ouro."

Rodrigo Teixeira faz referência a Câmera D'or conquistada no ano passado por "Murina", da diretora croata Antoneta Alamat Kusijanovic, no ano passado, do prêmio "Un Certain Regard" para a "Vida Invisível de Eurídice Gusmão, do brasileiro Karim Aïnouz, em 2019, e o Fipresci, também em 2019, por "The Lighthouse", do norte-americano Robert Eggers. 

Na opinião de Teixeira, a seleção deste ano é "bem particular, de autores" e que tudo depende do júri, que este ano é "interessante". "Quando você tem o Vincent Lindon presidente do júri, ele pode apreciar o James, mas ao mesmo tempo ele fez "Titane" (vencedor da Palma de Ouro em 2021). Será que Cannes 2022 repete 2021 e dá um prêmio para um filme similar, que é o "Crimes do futuro" ? do David Cronenberg ? que tem a mesma estranheza?", questiona. Ele acredita que Thierry Frémaux irá brigar "para que um filme parecido não ganhe". 

DNA brasileiro

"Armageddon Time" é a segunda colaboração de Rodrigo Teixeira com James Gray. Eles fizeram juntos "Ad Astra", em 2019. O longa na competição em Cannes é americano, mas Rodrigo Teixeira gosta de dizer que ele tem DNA brasileiro.

"Ele é um filme brasileiro. Eu garanto esse filme. Se der uma besteira financeira, quem vai pagar a conta sou eu. Eu desenvolvi com o James, o contratei para desenvolver uma ideia que ele vendeu para mim. Durante um ano e meio foi um trabalho muito solitário dele conosco. Somos (a RT) as primeiras pessoas a receber o roteiro", lembra. Rodrigo Teixeira é o produtor majoritário mas tem parceiros, entre eles quatro brasileiros.

"Armageddon Time" é o terceiro, dos 21 filmes na disputa pela Palma de Ouro, a ser exibido em Cannes. Os vencedores serão conhecidos em 28 de maio, último dia do maior e mais badalado festival de cinema do mundo.