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Fórum de Davos começa domingo na Suíça, após dois anos de interrupção pela pandemia

20/05/2022 12h44

Após uma pausa dois anos provocada pela pandemia, as elites políticas e econômicas mundiais se reunirão novamente "ao vivo" a partir de domingo (22) na cidade suíça de Davos, para participar do Fórum Econômico Mundial (WEF).

Após uma pausa dois anos provocada pela pandemia, as elites políticas e econômicas mundiais se reunirão novamente "ao vivo" a partir de domingo (22) na cidade suíça de Davos, para participar do Fórum Econômico Mundial (WEF).

O encontro aconteceu pela última vez na cidade suíça em janeiro de 2020. O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump e a ativista ambiental Greta Thunberg foram as principais "atrações" do evento. A Covid-19 tinha acabado de ser detectada na China, e dois meses depois provocaria uma das maiores crises sanitárias da História. No ano passado, o encontro ocorreu virtualmente.

Desde então, a pandemia de Covid-19 desestabilizou a economia mundial, causando sérios problemas nas cadeias de abastecimento e aumento da inflação, entre outros problemas. A invasão russa da Ucrânia aprofundou a crise, principalmente com o aumento dos preços de alimentos e energia.

A pandemia continuou impedindo que o fórum acontecesse em janeiro deste ano, como estava previsto. Agora, finalmente o evento será realizado entre os dias 22 e 26 de maio, com o tema "A história num ponto de virada: políticas governamentais e estratégias empresariais".

"A agressão da Rússia aparecerá nos livros de história como o colapso da ordem nascida após a Segunda Guerra Mundial e a Guerra Fria", disse à imprensa esta semana o economista Klaus Schwab, fundador do Fórum, garantindo que Davos faria todo o possível para apoiar a Ucrânia e a sua reconstrução.

Além de um discurso do presidente ucraniano, Volodomyr Zelensky, na segunda-feira, por videoconferência, vários políticos ucranianos estarão presentes. Paralelamente, o WEF suspendeu todas as suas relações com a Rússia, que há anos estava muito presente no evento.

Excluir os russos foi "a decisão certa", segundo o presidente do WEF, Borge Brende. Simbolicamente, para substituir a chamada 'Russia House' (Casa Rússia) - local que concentrava toda a atividade relacionada ao país -, neste ano haverá a 'Russia War Crimes House' (Casa dos Crimes de Guerra da Rússia), uma iniciativa do governo ucraniano e de um dos mecenas do país.

 Diplomacia discreta

O fórum, que desta vez reunirá cerca de 2,5 mil líderes políticos, econômicos, empresariais e da sociedade civil, também abordará questões como mudanças climáticas, desigualdade de gênero ou o surgimento do metaverso. A América Latina estará muito presente, com discursos dos presidentes do Peru, Colômbia, Costa Rica e República Dominicana e sessões específicas sobre a região.

O novo presidente peruano, o esquerdista Pedro Castillo, que precisava da aprovação do Congresso para viajar à Suíça, planeja abordar questões como a recuperação econômica pós-pandemia e o desenvolvimento sustentável da Amazônia.

Junto com sua agenda oficial, Davos é conhecido como um ponto de encontro diplomático. "A diplomacia silenciosa que (...) o fórum permite é uma das coisas que realmente estão no centro do fórum e que Klaus Schwab considera sua maior conquista", disse Adrienne Sorbom, professora de sociologia da universidade de Estocolmo e coautora de um livro sobre o WEF.

Apesar das críticas recorrentes sobre sua utilidade e opulência, em um mundo cheio de desigualdades, o Fórum de Davos continua atraindo os principais líderes políticos e empresariais. "Neste Davos, neste festival da riqueza, acredito que veremos como nosso mundo se tornou desigual", comentou Nabil Ahmed, da ONG Oxfam, que faz campanha por impostos mais altos para os ricos e frequenta o fórum com frequência.

(Com informações da AFP)