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Temporada de férias de verão começa com greves na França

06/07/2022 15h33

Os profissionais do setor do turismo apostam tudo nessa temporada de verão no hemisfério norte, com previsões de viagens em alta após dois anos atípicos por causa da pandemia de Covid-19. Mas os primeiros dias de férias já foram marcados por movimentos de greve que podem atrapalhar os planos daqueles que pretendem viajar pela Europa.

Os profissionais do setor do turismo apostam tudo nessa temporada de verão no hemisfério norte, com previsões de viagens em alta após dois anos atípicos por causa da pandemia de Covid-19. Mas os primeiros dias de férias já foram marcados por movimentos de greve que podem atrapalhar os planos daqueles que pretendem viajar pela Europa.

"No pay, no work!". Assim foram recebidos os turistas que tentaram visitar a torre Eiffel nesta quarta-feira (9). Os gritos vinham dos empregados das lojas de souvenirs da atração, que entraram em greve por melhores salários. A torre continuou recebendo visitantes, mas metade dos funcionários dos quiosques de lembrancinhas aderiu ao movimento.

Essa foi apenas uma das mobilizações sindicais previstas na França nesta temporada no setor do turismo. No fim de semana passada, cerca de 20% dos voos foram cancelados no aeroporto parisiense Roissy-Charles de Gaulle, o principal da França, e mais uma paralisação é prevista entre os dias 8 e 10 de julho. As imagens dos passageiros arrastando suas malas nas vias de acesso ao aeroporto, bloqueadas pelos sindicatos no primeiro fim de semana de mobilização, já deram o tom do que podem esperar os viajantes, nos próximos dias.

Até porque os sindicatos avisaram que se nenhum acordo for proposto, uma nova greve poderá ser organizada em Roissy a partir de 14 de julho, feriado nacional francês, que este ano é seguido de um fim de semana prolongado e coincide com o principal período de férias do país. A companhia aérea de baixo custo Ryanair também ameaça aderir ao movimento francês.

Os grevistas do setor aéreo protestam por melhores condições de trabalho e aumento de salários, mas também para alertar para a falta de pessoal. Na França, como em vários países europeus, muitos funcionários dos setores de serviços deixaram seus cargos durante a pandemia de Covid-19 e não retomaram seus empregos, provocando uma falta de pessoal que torna, segundo os sindicatos, as condições de trabalho dos que ficaram cada vez mais difíceis.

Na Espanha, as tensões se concentram entre os funcionários das companhias aérea de baixo custo EasyJet e Ryanair, que fizeram greve na semana passada e prometem bloquear o tráfego aéreo novamente, nos próximos dias. Ryanair anunciou uma mobilização nos dez aeroportos em que opera no país entre os dias 12 e 15, 18 e 21, 25 e 28. Já a EasyJet convocou uma paralisação nos fins de semana, nos dias 15, 16, 17, 29, 30 e 31 de julho, ou seja, nos períodos de maior movimento aéreo, em plenas férias de verão. Além da França e da Espanha, greves no setor aéreo foram registradas, nos últimos dias, em Portugal, Itália e Bélgica.

Transporte ferroviário afetado na França

Nesta quarta-feira (6) foi a vez dos funcionários dos serviços ferroviários franceses cruzarem os braços. Quatro sindicatos convocaram uma greve para reivindicar um reajuste salarial diante da inflação que atinge o país. Eles alegam que não tiveram aumento desde 2014. O movimento provocou alguns transtornos nas estações, com cerca de 20% de grevistas. Mesmo assim, três quartos dos trens de alta velocidade (TGV) circularam normalmente. Já nas linhas regionais apenas dois em cada cinco trens funcionaram.

Temendo o impacto do movimento na temporada de férias, a direção da SNCF, a empresa estatal que administra o sistema ferroviário francês, anunciou no final do dia um aumento de 1,4% nos salários, além de um reajuste de 4% nas indenizações concedidas aos funcionários que trabalham à noite e nos fins de semana. A SNCF também se comprometeu em abrir novas negociações salariais em dezembro. Os sindicatos já informaram que as medidas anunciadas são "insuficientes".