Bandeiras do Brasil e do Estado do Rio são hasteadas na Rocinha após ocupação

Hanrrikson de Andrade
Especial para o UOL Notícias
No Rio de Janeiro

As forças policiais que realizaram a ocupação da favela da Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro, hastearam na tarde deste domingo (13) as bandeiras do Brasil e do Estado do Rio de Janeiro para simbolizar o sucesso da megaoperação coordenada pela Secretaria Estadual de Segurança Pública. A cerimônia improvisada ocorreu nas proximidades da Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) da Via Ápia, um dos principais acessos da comunidade.

No decorrer do hasteamento, um grupo liderado pelo presidente da Associação de Moradores e Amigos do Bairro Barcelos (Amabb), Leonardo Rodrigues, promoveu uma manifestação aos gritos de "justiça social". O ato ocorreu justamente no momento que o Batalhão de Operações Especiais (Bope) entoava um dos hinos da divisão de elite da Polícia Militar (cujos oficiais são conhecidos popularmente como "caveiras"), o que causou certo constrangimento.

O chefe do Estado Maior da Polícia Militar, coronel Pinheiro Neto, comentou com entusiasmo sobre o sucesso da ocupação. "Vocês puderam ver a importância da operação, sem disparar nenhum tiro nem machucar ninguém. Ela representa o sucesso do planejamento detalhado e da união de forças e de diferentes rotinas. Essas forças se uniram em prol de um objetivo comum: retomar o espaço e devolver ao povo o que ele merece", disse.

Já no fim da cerimônia, a reportagem do UOL Notícias recebeu de um morador que não quis se identificar um bilhete manuscrito com palavras de agradecimento pela operação policial na Rocinha. "Muito obrigado aos nossos erois (sic). Que Deus abençoe todos vocês por nos libertar desses mauditos (sic). Agora sou o homem mais feliz do mundo. Abraços para todos", escreveu o morador.

A megaoperação coordenada pela Secretaria de Estado de Segurança Pública do Rio de Janeiro -batizada "Choque de Paz"- começou por volta de 4h15 e transcorreu de forma tranquila, e não houve registro de troca de tiros. Dois homens foram presos, porém nenhum com ligação inicial com o tráfico de drogas.

Por volta das 7h30, as vias no entorno das favelas recém-ocupadas foram liberadas para o trânsito, de acordo com PMs que estão local. As forças policiais interditaram oito ruas em diferentes pontos próximos às comunidades.

13 fuzis e 200 kg de maconha

Mais cedo, policiais do Bope e do Batalhão de Polícia Florestal encontraram a partir de coordenadas passadas por um informante 13 fuzis, duas lunetas e uma granada. O material estava enterrado em uma mata no alto da Rocinha, e foi encaminhado para o 23º BPM (Leblon)

Uma das armas apreendidas possui um adesivo de um coelho em alusão ao apelido do traficante Anderson Rosa Mendonça, o Coelho, que também foi detido na quarta-feira (9).

Por volta de 13, os policiais da divisão de elite da Polícia Militar apreenderam a primeira carga de entorpecentes. Também enterrados, foram encontrados entre 200 e 300 quilos de maconha em uma mata no alto do morro. A droga também foi levada para o 23º Batalhão da PM.

A ocupação

A Secretaria de Estado de Segurança Pública do Rio de Janeiro colocou em prática na madrugada deste domingo (13) o planejamento de instalação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) na favela da Rocinha, em São Conrado, bairro da zona sul da capital fluminense. Mais de três mil agentes das polícias Civil, Militar e Federal, além de fuzileiros navais operando blindados da Marinha, participam da ocupação.

A operação começou com incursões dos homens do Batalhão de Operações Especiais (Bope) em busca de traficantes que permanecem escondidos na favela. Enquanto isso, policiais militares do Choque e dos batalhões da região ficaram responsáveis pelas ações no Vidigal e na Chácara do Céu. A comunidade foi cercada há alguns dias com o objetivo de evitar a fuga de traficantes durante a operação.

Os helicópteros "Caveirão" da Polícia Militar e Águia da Polícia Civil fecharam o espaço aéreo para apoio logístico. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, 18 blindados da Marinha --dos tipos Clanf, M-113 e Piranha-- participaram da operação. Os criminosos jogaram óleo nas ruas da Rocinha para prejudicar a locomoção dos veículos, e os policiais encontraram certa dificuldade para avançar. Uma moto que supostamente pertencia a traficantes foi queimada pelos próprios moradores.

Por volta de 6h45, o chefe do Estado Maior da Polícia Militar, coronel Pinheiro Neto, confirmou o sucesso da operação.

Segundo informações iniciais de policiais que trabalharam na megaoperação, apenas duas prisões foram realizadas, nenhuma das duas relacionadas com o tráfico de drogas. Um foragido por assalto à mão armada tentou escapar simulando mal estar e um homem foi preso com uma motocicleta irregular.

 

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