Verdade sobre novos escândalos no Vaticano jamais será revelada, assim como casos do passado

Pablo Ordaz e Lola Galán
Do El País

  • Andrew Medichini/AP

    Em foto tirada no dia 23 de maio, o mordomo Paolo Gabriele (na frente) acompanha Bento 16 no Papa Móvel, chegando à praça São Pedro, no Vaticano

    Em foto tirada no dia 23 de maio, o mordomo Paolo Gabriele (na frente) acompanha Bento 16 no Papa Móvel, chegando à praça São Pedro, no Vaticano

A detenção do mordomo do papa deixou a descoberto uma guerra de poder no Vaticano. O cardeal Bertone enviou para o exílio alguns de seus colaboradores mais queridos. Bento 16 tenta obter uma trégua, mas a luta é encarniçada.

Nesta história cheia de traição, métodos obscuros, soldados do Altíssimo que lutam pelo poder com armas do demônio, um mordomo ladrão, um papa doente e um banco que usa o nome de Deus em vão, talvez o único homem bom seja o padre George.

George Gänswein é alemão, tem 57 anos, 1,80 metros de altura, corpo atlético, cabelos louros, olhos claros. Há nove anos é o secretário pessoal de Joseph Ratzinger, e há alguns meses seu único antídoto contra o ar envenenado do Vaticano. Um dia não muito distante, chegou ao seu número de fax - ao qual poucas pessoas têm acesso - uma carta comprometedora dirigida ao papa.

Depois que Bento 16 a lesse, monsenhor Gänswein decidiu guardá-la em seu pequeno escritório situado dentro do apartamento papal. Não convinha que aquela missiva saísse dançando por um Vaticano transformado em campo de batalha. Por isso, quando o padre George a viu publicada em um livro, com dezenas de documentos secretos, soube imediatamente que o traidor, o corvo, a toupeira, tinha de ser alguém muito próximo. Alguém da família.

Assim são chamados intramuros. A família pontifícia. A família do papa. Os habitantes do Apartamento - assim, com A maiúsculo, é como escrevem no Vaticano - no qual Joseph Ratzinger, mais caseiro que seu antecessor, o muito viajante Karol Wojtyla, passa a maior parte do dia. Além do padre George e do outro secretário, o sacerdote maltês Alfred Xuereb, "a família do papa" é composta por quatro laicas consagradas - Carmela, Loredana, Cristina e Rosella -, uma freira que o ajuda nos trabalhos de estudo e escrita, sóror Birgit Wansing, e um assistente de câmara, Paolo Gabriele, seu fiel Paoletto, o primeiro que há seis anos lhe dá bom-dia, o ajuda a vestir-se e a celebrar a missa, o acompanha em todas as audiências públicas e privadas, lhe serve o café da manhã, o vinho nas refeições e a infusão da tarde, o acompanha em seus passeios pelo jardim do terraço e, ao cair da noite, o ajuda a despir-se e ir para a cama.

"Boa noite, santidade."

A noite de 22 de maio foi a última em que Paolo Gabriele, 46, casado e com três filhos e dupla cidadania - italiana e vaticana -, acompanhou o papa. No dia seguinte, a Gendarmeria do Vaticano se apresentou em sua casa na Via de Porta Angelica, sobre o muro que separa os dois Estados, e o deteve. O segredo foi mantido por dois dias. No dia 25, no entanto, a notícia vazou: detido o mordomo do papa por revelar e divulgar documentos secretos. Os jornalistas buscam imagens do corvo, ou traidor. Não é difícil encontrá-las. Basta olhar as fotos do papamóvel. Junto do motorista, sempre com ar sério, aparece Paolo Gabriele. Atrás, de pé, distribuindo bênçãos, o papa, e no último assento, sorridente, o padre George Gänswein.

Se não fosse por seu físico - a revista "Vanity Fair" chegou a chamá-lo de monsenhor George Clooney -, o teólogo alemão seria um perfeito desconhecido. Até alguns meses atrás, George Gänswein executava exclusivamente seu papel de discreto ajudante de Joseph Ratzinger, sua sombra desde 1996, quando o então cardeal prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, a antiga Inquisição, o chamou para o seu lado. No entanto, de um tempo para cá, padre George não teve remédio senão desempenhar um papel mais delicado: o de passagem secreta para ver o papa.

Aos 85 anos, Bento 16 vive isolado em seu Apartamento, encurralado pelas lutas entre os cardeais que tentam ganhar poder antes da celebração do próximo conclave. Ratzinger é um homem idoso e doente, mas é, sobretudo, um homem só. Seu velho amigo e teórico braço-direito, Tarcisio Bertone, o secretário de Estado do Vaticano, foi se afastando dele e ao mesmo tempo se transformou no inimigo a vencer pelos demais cardeais italianos.

É acusado de ambição desmedida, de relações perigosas com os poderes fortes da Itália, inclusive de se deixar influir por "ambientes maçônicos". O papa, que nos últimos tempos observou com tristeza como o cardeal Bertone demitiu ou enviou para o exílio alguns de seus colaboradores mais queridos, sempre responde com a mesma frase a quem o aconselha a mudar de secretário de Estado; "Já sou um papa velho..."

Tenta obter uma trégua, mas o resultado é o contrário. A luta é cada vez mais encarniçada. Bertone se radicaliza e seus inimigos também não descansam. Sentado junto ao fax do Apartamento, o padre George continua recebendo cartas terríveis dirigidas a Bento 16.

Joseph Ratzinger não se parece em nada com Karol Wojtyla. É verdade que uma grande amizade os unia e que João Paulo 2º se apoiou no cardeal alemão até sua morte. O polonês era luminoso, cordial, incansável. Passava o dia apertando mãos, sorrindo, percorrendo o mundo. Em tal medida que, ainda hoje, quando se passeia pelo centro de Roma, dá a impressão de que o papa continua sendo o polonês, porque seus postais são os mais presentes, os que mais vendem.

Não era difícil, portanto, falar com João Paulo 2º, fazer-lhe chegar uma mensagem. Bento 16, por sua vez, não se apaixona pelas relações humanas. É tímido, embora cordial, sisudo, paciente, amante da leitura, mais pendente dos assuntos do céu que dos da terra. De fato, só alguns cardeais escolhidos - Ruini, Scola, Bagnasco - conseguiram demonstrar pessoalmente a ele sua opinião desfavorável sobre Bertone. Ocorreu há um ano, durante um almoço no Palácio de Castel Gandolfo, a residência de verão do papa. Os demais têm de se conformar com utilizar um canal: o fax do padre George Gänswein...

Um canal que, desde o último verão, deixa de ser seguro. O primeiro golpe chega com a divulgação, através de um programa de televisão, de uma carta do arcebispo Carlo Maria Viganò, atual núncio nos EUA, na qual conta ao papa diversos casos de corrupção dentro do Vaticano e lhe pede para não ser removido de seu cargo de secretário-geral do Governatório - o departamento encarregado de licitações e fornecimentos. Viganò, porém, é enviado para longe de Roma pelo secretário de Estado, Tarcisio Bertone. Diversas fontes afirmam que o papa chegou a chorar com essa decisão, mas não se atreveu a contradizer Bertone.

O segundo vazamento revela um suposto complô para matar o pontífice. Trata-se de uma carta muito recente enviada a Bento 16 pelo cardeal colombiano Darío Castrillón Hoyos, na qual lhe conta que o cardeal italiano Paolo Romeo, arcebispo de Palermo (Sicília), acaba de realizar uma viagem à China durante a qual teria comentado: "O papa morrerá em 12 meses". Mas não só isso. Segundo a carta do bispo colombiano, escrita em alemão e sob o selo de "estritamente confidencial", o arcebispo de Palermo despachou à vontade no país asiático, contando supostos segredos do Vaticano, como que o papa e seu número 2, Bertone, têm vontade de se matar reciprocamente e que Bento 16 está deixando tudo bem amarrado para que seu sucessor à frente da Igreja seja o atual arcebispo de Milão, o cardeal Angelo Scola.

Aqueles vazamentos de documentos, embora ainda a conta-gotas, causam comoção no Vaticano. Seu porta-voz, o padre Federico Lombardi, chega a admitir que a Igreja está sofrendo seu "Vaticanleaks" particular. O jornal "L'Osservatore Romano" publica um editorial em que descreve a situação de Bento 16: um pastor cercado por lobos.

Enquanto isso, Paolo Gabriele continua chegando todos os dias às 6 da manhã ao Apartamento para acordar o papa. É um privilegiado. Todos os funcionários do Vaticano o são. Não ganham um grande salário, mas fazem parte do plantel de uma empresa com 20 séculos de antiguidade, que dificilmente irá à falência, com prestígio social na cidade de Roma e uma série de vantagens - moradia dentro dos 40 hectares do Vaticano, gasolina muito barata - que na maioria dos casos são herdadas por seus filhos. A tempestade que nestes dias - o final de 2011 - açoita a Igreja passará. Como sempre, pelos séculos dos séculos.

Há uma anedota muito representativa. Há alguns anos, um jornalista espanhol perguntou a um cardeal sobre um conflito no seio da Igreja. O purpurado, muito sério, iniciou assim sua resposta: "Já tivemos esse problema no século 13...".

A resposta, embora com outras palavras, continua sendo a mesma, inclusive a mais comum durante os dias posteriores à detenção de Paoletto: "Já tivemos problemas parecidos, inclusive maiores, e sempre seguimos em frente. Talvez o que mude agora é a velocidade e a magnitude na difusão da notícia. Isso, e não sua gravidade, é o que amplia o problema". O problema, uma guerra de poder, puramente italiana. Tanto os sobrenomes que ilustram essa história de intrigas e golpes baixos como as armas escolhidas para o duelo têm denominação de origem. "Um típico jogo italiano", o qualificam alguns meios de informação. Além disso, há uma razão de peso para que seja assim.

A cadeira de Pedro continua sendo ocupada por um estrangeiro desde 1978. A um papa polonês (João Paulo 2º, de 1978 a 2005) sucedeu um papa alemão (Bento 16, de então até hoje) e, se os cardeais italianos com menos de 80 anos - os que podem participar do conclave - não estiverem atentos poderão perder uma oportunidade de ouro. Atualmente, os cardeais eleitores são 122. Italianos, 30 (menos de um quarto), 11 americanos e seis alemães. Se quando Ratzinger morrer ou se demitir não o suceder um italiano, na próxima vez será mais difícil.

Antes inclusive do escândalo, já era patente o peso excessivo da Igreja italiana no Vaticano. Praticamente todos os cargos de responsabilidade relacionados às finanças estão em mãos italianas, apesar de os maiores contribuintes serem americanos e alemães. Da mesma forma, embora os EUA, a Ásia e a África sejam mais o presente que o futuro da Igreja Católica, no último consistório, realizado em 18 de fevereiro passado, não foi nomeado nenhum cardeal africano, e só um latino-americano.

Há alguns dias, um alto representante do Vaticano manifestou sua contrariedade: "Na América Latina já estão 47% dos católicos do mundo. Ali as igrejas estão cheias e na Europa vazias, mas o Vaticano continua demorando muito para nomear cardeais que não sejam europeus...". Miloslav Vlk, cardeal de Praga e porta-voz da Igreja Internacional, o diz sem rodeios: "Talvez tenhamos perdido o impulso que nos deram Paulo 6º e João Paulo 2º e depois recolhido por Bento 16: uma Igreja que se abre para o mundo, um colégio cardinalício e uma Cúria mais internacionais, e portanto mais capazes de escutar as vozes e captar a energia que chegam também de longe".

A detenção do mordomo ocorre algumas horas depois de outro fato muito grave. A demissão fulminante de Ettore Gotti Tedeschi, presidente do Instituto para as Obras de Religião (IOR), conhecido como Banco Vaticano. A primeira explicação fala em "irregularidades em sua gestão", mas depois o tom vai aumentando até chegar quase ao linchamento. A primeira explicação oficial critica o economista de 67 anos por "não ter desenvolvido funções de primeira importância para seu cargo".

A verdade é que o Banco Vaticano está sendo submetido desde setembro passado a uma investigação judicial por suposta violação das normas contra a lavagem de capitais. Além de Gotti Tedeschi - presidente também do Santander Consumer Bank, a filial italiana do Banco Santander -, a promotoria investiga o diretor-geral do IOR, Paolo Cipriani. O diretor mostra-se enfurecido em suas declarações à imprensa: "Prefiro não falar. Se o fizesse, só diria palavras feias. Debato-me entre a ânsia de explicar a verdade e não querer turvar o Santo Padre com tais explicações".

Tedeschi é dos poucos que guarda fidelidade ao papa. De fato, foi o próprio Joseph Ratzinger quem o recomendou a Bertone. Eram mais que velhos amigos. O economista, membro do Opus Dei, havia colaborado com o papa na encíclica "Caritas in veritate". Agora, a colaboração que lhe pedia era mais terrena, e, portanto, mais difícil: resgatar das mãos do demônio as contas de Deus. Limpar o Banco Vaticano. Bertone e Tedeschi se chocam. Parece que há tempo não se falam. O economista amigo do papa ameaça se demitir. O secretário de Estado se adianta e o demite. Mas não se contenta com isso. Em plena guerra de vazamentos, aparece um documento no qual se ataca o já ex-presidente...

O assunto fica em segundo lugar. Toda a atenção agora está concentrada na sorte de Paolo Gabriele. A primeira pergunta é: por que fez isso? A segunda: para quem? Roma é tomada por um bando de corvos anônimos que se dizem companheiros de Paoletto, uma espécie de cruzada contra os assuntos turvos do Vaticano. "Paoletto não está só", afirmam, "somos muitos, inclusive muito acima. Queremos defender o papa, denunciar a corrupção, fazer limpeza no Vaticano."

As vozes anônimas confirmam o que já se sabia - o Vaticano é há meses um campo de batalha entre diferentes facções que lutam pelo poder -, mas suas teóricas intenções são difíceis de acreditar. Tão incríveis quanto alguns detalhes da operação: à frente estaria uma mulher e a tropa seria formada por uma plêiade de vingadores, de cardeais a mordomos, incluindo um pirata informático. Seu principal objetivo: proteger o papa de Tarcisio Bertone.

Depois de vários dias em silêncio, o papa fala. Mas não diz nada. Remonta 20 séculos atrás para lembrar que Jesus também foi traído. Acusa os meios de comunicação de ampliar o problema e confirma em seus cargos todos os seus colaboradores - incluindo Tarcisio Bertone Os muros do Vaticano se fecham ainda mais. O mistério, sempre presente nas histórias religiosas e laicas de Roma, envolve tudo. Paoletto já falou? Disse se roubou a correspondência do papa por sua conta ou por encomenda? Talvez seja o padre George, sentado junto a seu fax, o único que sabe a verdade, talvez o único que cumpra sua função de proteger o papa. Ou talvez não. Se em alguma coisa concordam crentes e descrentes de um lado e outro do Tibre é em que, como é habitual nos assuntos referentes ao Vaticano, jamais se saberá a verdade. Nunca se conhecerá o verdadeiro chefe de Paolo Gabriele, a identidade do corvo vestido de púrpura.

A Igreja Católica, que precisa da fé para continuar existindo, continua sentindo-se cômoda na obscuridade. "Já tivemos esse problema no século 13..." Em sua primeira encíclica - "Deus caritas est" (2005) -, Bento 16 citava uma frase de santo Agostinho que hoje soa profética: "Sem justiça, o que são os reinos senão um grande bando de ladrões?"

Intrigas e as lutas de poder provocaram escândalos durante séculos

Corvos no Vaticano? Maledicência e contas pendentes resolvidas nos meios de comunicação? "Peccata minuta" diante do histórico de escândalos do Estado pontifício, um território de apenas meio quilômetro quadrado onde as lutas de poder e a ambição sem limites criaram um microclima insano durante séculos. Não é preciso retroagir aos tempos dos Borgia (transformados, com fama de envenenadores, em bodes-expiatórios de toda a depravação do Renascimento italiano) para encontrar episódios sombrios desse suposto centro da espiritualidade cristã.

Em 28 de setembro de 1978, morria aos 65 anos João Paulo 1º, o italiano Albino Luciani, 33 dias depois de ser eleito papa. Oficialmente morreu de infarto, mas o cadáver de um pontífice nunca é submetido a autópsia. As teorias conspiratórias dispararam até alcançar o bispo Paul Marcinkus, então responsável pelo Instituto de Obras da Religião, o Banco Vaticano. João Paulo 1º havia se negado a ocultar o escândalo que sobrevoava as finanças vaticanas?

Os dados que se conhecem tornam pouco plausível essa hipótese, mas a verdade é que Marcinkus, um robusto prelado americano de origem lituana que havia se convertido na sombra de Paulo 6º, tinha motivos para lamentar a morte deste. Sua relação com Michele Sindona, um banqueiro ligado à Máfia, gerou suspeitas sobre a manipulação de dinheiro ilícito procedente dos EUA.

O escândalo explodiu em 1982, com a falência fraudulenta do Banco Ambrosiano, uma instituição católica da qual o Banco Vaticano era o principal acionista. A Santa Sé aceitou pagar milhões de dólares em indenizações a entidades estrangeiras afetadas pelo colapso do Ambrosiano. Roberto Calvi, presidente do banco, e Sindona optaram, supostamente, por suicidar-se. Marcinkus encontrou, entretanto, a proteção de João Paulo 2º, sucessor do papa Luciani, que o manteve no cargo até 1989. Um ano antes de se consumar a falência do Ambrosiano, o papa polonês sofreu um atentado gravíssimo, que as sucessivas investigações judiciais e o posterior julgamento não conseguiram esclarecer totalmente.

Outro tanto se pode dizer do assassinato, pelas mãos de guardas suíços, do comandante dessa histórica tropa papal, Alois Estermann, no mesmo dia em que foi confirmado em seu cargo, em maio de 1998. O Vaticano manejou melhor esse assunto explosivo, mas tampouco conseguiu evitar a gigantesca boataria em torno dele.

Foram os anos em que João Paulo 2º viajava pelo mundo e recebia no Vaticano, como um amigo pessoal, o padre Marcial Maciel, fundador dos Legionários de Cristo, uma comunidade de religiosos com enorme desenvolvimento e consideração no México e em outros países. Maciel era um personagem influente nos palácios vaticanos e um dos mais queridos colaboradores do papa. Com grande discrição, trazia o dinheiro para as arcas sempre exaustas da Igreja e enchia com multidões as cerimônias religiosas presididas por Wojtyla. Mas a conduta do mexicano estava na boca de todo mundo. Numerosas denúncias de ex-legionários o descreviam como um sujeito cínico e amoral e um pedófilo consumado.

João Paulo 2º resistiu até sua morte, na primavera de 2005, a que se tomassem medidas contra Maciel, que um ano antes abandonou seu cargo à frente dos Legionários e morreu em 2008 com 89 anos, sem ser molestado por ninguém.

Joseph Ratzinger, que sucedeu Wojtyla à frente da Igreja com a promessa de acabar com a corrupção interna, arquivou a investigação sobre Maciel. Mas com a morte do fundador ficou claro seu histórico sexual de um depravado sem atenuantes.

Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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