ESCÂNDALOS NO CONGRESSO

14. Gilvan Borges (PMDB-AP) é acusado de comprar testemunhas para derrubar Capiberibe (PSB-AP)

Data de Divulgação

9.fev.2011

O escândalo

Dois ex-funcionários da família do senador Gilvam Borges (PMDB-AP) disseram ao Ministério Público Federal (MPF) do Amapá que o político pagou testemunhas do processo que cassou, em 2005, o mandato de João Capiberibe (PSB-AP) e colocou Gilvam no Senado. A notícia foi publicada pela "Folha de S.Paulo", em 9.fev.2011.

Com base nos depoimentos das mesmas testemunhas (Maria de Nazaré Oliveira e Rosa Saraiva dos Santos) também foi cassado, em 2006, o mandato de deputada da mu lher de João, Janete Capiberibe (PSB-AP).

Em julho de 2010, o cinegrafista Roberval Coimbra Araújo já havia dito que Gilvam oferecera casa, carro e mesada de R$ 2 mil para as testemunhas dizerem à Justiça que receberam R$ 26 para votar no casal Capiberibe, em 2002.

Os depoimentos noticiados pela "Folha" em 9.fev.2011 são do jornalista Hélio José Nogueira Alves, ex-assessor de imprensa de Gilvam, e da ex-secretária Veranilda Araújo Rodrigues.

Hélio Alves disse, em 1°.fev.2011, segundo transcrição do depoimento ao MPF, que "Rosa e Nazaré foram pagas para formalizar as denúncias de que teriam sido cooptadas para votar em João e Janete Capiberibe", publicou a "Folha". Ao jornal, Alves disse não ter falado antes porque fazia parte do "grupo" de Gilvam. Veranilda Rodrigues disse que recebeu dinheiro de Geovane Borges, irmão do senador, para comprar as casas.

Em 2010, João e Janete se elegeram novamente como senador e deputada. Mas, por causa da cassação, foram enquadrados na Lei da Ficha Limpa e não assumiram os mandatos. "Gilvam, outra vez em terceiro, continuou no Senado", observou a reportagem.

Em 19.fev.2011, a "Folha" publicou qeu João Capiberibe pretende ir à Justiça para reverter sua cassação (aqui, para assinantes do jornal e do UOL). "Ele [Gilvam] tem que pagar pelos crimes que cometeu", afirmou Capiberibe. Além disso, Capiberibe tambpem disse que seu partido, o PSB, pretende entrar com uma ação no Conselho de Ética do Senado contra Gilvam acusando-o de quebra de decoro parlamentar.

Outro lado
Tanto o senador Gilvam Borges quanto as testemunhas que acusaram João e Janete Capiberibe de comprarem seus votos negam ter forjado os testemunhos, publicou a "Folha", em 9.fev.2011.

"Gilvam Borges não respondeu às perguntas enviadas pela reportagem sobre os depoimentos de ex-funcionários de emissoras de rádio e TV de sua família", divulgou o jornal.  Mas, segundo a "Folha", "nota enviada pela assessoria do senador diz que o jornalista Hélio Alves e o cinegrafista Roberval Araújo fazem "armação escusa".

"O mesmo Araújo [...], oito anos depois, quer testemunhar em favor de João Capiberibe em um processo que já transitou em julgado", diz a nota, com referência ao processo que resultou na cassação de Capiberibe em 2005.

"A reportagem procurou o empresário Geovane Borges na TV Tucuju, mas a atendente afirmou que ele estava em reunião fora da empresa e não poderia falar", afirmou a reportagem.

Outro texto da "Folha", de 19.fev.2011, apresenta declarações de Gilvam ao jornal (aqui, para assinantes da "Folha" e do UOL). "O senador Gilvam Borges (PMDB-AP) disse que os ex-funcionários de empresas de sua família que afirmam ter participado de um esquema para subornar testemunhas a mando dele estão mentindo", diz a reportagem. Gilvam acusa o grupo político de João Capiberibe de ter comprado os depoimentos contra ele, diz a "Folha".

"Ele [Capiberibe] está minimizando. Foram apreendidas listas com mais de 4.500 nomes de eleitores. Está tudo nos autos", disse Gilvam, que, destacou a "Folha", é aliado do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), antigo rival político de Capiberibe no Amapá. "É tudo mentira. Compraram ela. Estão novamente usando o mesmo método de compra de votos", afirmou o senador.

À "Folha", Gilvam também negou ter dado de apoio às duas testemunhas no processo contra o casal Capiberibe. Segundo ele, é coincidência o fato de, em novembro de 2010, as 2 mulheres que testemunharam contra os Capiberibes terem ido à sede do Ministério Público Estadual acompanhadas de advogado que também trabalha para as empresas de sua família. "O Amapá é um lugar pequeno, onde todos se conhecem. Elas é que procuraram esse advogado", disse. O senado ainda afirmou estar "tranquilo" quanto a possível ação do PSB contra ele no Conselho de Ética do Senado ou na Justiça. "É um direito dele [Capiberibe]. Ele é um cidadão livre. Fico tranquilo quanto a isso", disse Gilvam, segundo publicou a "Folha", em 19.fev.2011.

O que aconteceu?

A Procuradoria investiga o suposto crime de falso testemunho de Maria de Nazaré Oliveira e Rosa Saraiva dos Santos, informou reportagem da "Folha" publicada em 9.fev.2011.

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