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Anderson Baltar


Cubango escolhe samba para homenagear Luís Gama no Carnaval 2020

Reprodução/Facebook
Imagem: Reprodução/Facebook
Anderson Baltar

Anderson Baltar é jornalista, formado pela UFRJ e tem 42 anos. Com mais de 15 anos de experiência na mídia carnavalesca, foi assessor de imprensa da União da Ilha e Império Serrano, produtor de Carnaval da TV Globo e trabalhou em coberturas de desfiles nas rádios Manchete e Tupi. Desde 2011, é âncora e coordenador da Rádio Arquibancada, web rádio com programação inteiramente voltada para o Carnaval. Em 2015, lançou o livro "As Primas Sapecas do Samba", ao lado dos também jornalistas Eugênio Leal e Vicente Dattoli.

01/09/2019 13h30

A Acadêmicos do Cubango, vice-campeã da Série A (equivalente ao Grupo de Acesso) do Carnaval Carioca já tem samba-enredo para tentar o título no desfile de 2020. Em disputada final realizada na noite de ontem, a verde e branco de Niterói escolheu a obra assinada por Robson Ramos, Sardinha, Anderson Duda Tonon, Júnior Fionda, Sérgio Careca, Tricolor e Rildo Seixas para embalar o seu cortejo. O resultado foi anunciado um pouco antes das 5h da manhã de hoje e foi bem recebida pela comunidade.

Quinta escola a desfilar na sexta-feira de Carnaval, o Cubango apresentará o enredo "A Voz da Liberdade", que homenageará o escritor negro Luís Gama, que, em 2020, completará 190 anos de nascimento. Os carnavalescos são Alexandre Rangel e Raphael Torres, que estreiam na escola neste Carnaval.

Confira o samba da Acadêmicos do Cubango:

Compositores: Robson Ramos, Sardinha, Anderson Duda Tonon, Júnior Fionda, Sérgio Careca, Tricolor e Rildo Seixas

E se a igualdade fosse cor
De Mahin Nagô é raça
Pra mordaça não vingar
Tenho a resistência
Como Ninho
De Luiza o passarinho
Que se permitiu voar
Certo que nego liberto
Segura a mão do irmão
E sangue Malê, rebelião
Ilê meu São Salvador
Salva dor dessa gente
Escrava, dolente
Que não se entrega não
Quebra corrente

Sei o meu valor
Não me bote preço não
Bote não Senhor
Que meu povo
É bom de luta
Alforria fez morada
Em meu peito
É preto sim
Meu legítimo direito

Tremeu a Casa Grande ôôô
O peso da palavra
De um negro
Quando um novo horizonte vive
Meu povo é livre!
Quem sou eu?
O berro contra
Toda a tirania
Cabresto não segura poesia
Enfim um canto forro ecoou
Lute como um dia eu lutei
Um sonho
Tantas vidas, uma lei
Meu lugar de fala
Hoje favela, ontem senzala

A chibata não cantou
Kabo Lerê
Firma no batuquejê, Cubango
Uma história de bravura
Testemunha da verdade
Eu sou a voz da liberdade