Astrônomos detectam o que poderia ser a supernova mais poderosa da história

Jonathan Amos

Repórter de Ciência da BBC News

  • Reprodução/BBC

A explosão estelar foi flagrada pela primeira vez em junho do ano passado mas permanece irradiando energia.

Em seu auge, o fenômeno foi 200 vezes mais poderoso do que uma supernova comum, ou 570 bilhões de vezes mais brilhante do que a luz do sol.

Cientistas acreditam que a explosão e a atividade atual da estrela foram impulsionadas por um corpo celeste ultracompacto e supermassivo conhecido como magnetar - uma estrela de nêutrons com forte campo magnético.

O magnetar, resultado da supernova, costuma girar a uma alta velocidade, em torno de mil vezes por segundo.

Mas, de acordo com os astrônomos, o corpo celeste vem desacelerando e, na medida em que isso acontece, despeja essa energia rotacional em um envoltório de gás que libera poeira estelar.

Detalhes do fenômeno foram registrados na última edição da revista científica Science.

A supernova superiluminada, como é denominada, foi flagrada a 3,8 bilhões de anos-luz da Terra pela All Sky Automated Survey for SuperNovae (ASAS-SN), projeto polonês que faz monitoramento fotométrico de cerca de 20 milhões de estrelas.

O telescópio usa uma série de longas lentes Nikon em Cerro Tololo, no Chile, para varrer o céu à procura de pontos brilhantes súbitos.

Observações posteriores por instalações maiores são então usadas para investigar os corpos celestes com mais detalhes.

A intenção da ASAS-SN é colher melhores estatísticas sobre diferentes tipos de supernovas e onde elas estão ocorrendo no universo.

'Colossal'

Segundo os astrônomos, as explosões estrelares ajudam a explicar a evolução do universo.

As supernovas formam os elementos químicos mais pesados na natureza. Suas ondas de choque interferem no ambiente espacial, expelindo gás e poeira a partir dos quais a próxima geração de estrelas é formada.

Cientistas estimam que a estrela fonte para a supernova em questão deve ter sido colossal - talvez de 50 a 100 vezes a massa do Sol.

Essas estrelas são bastantes volumosas, mas vão perdendo grande parte de sua massa em fortes rajadas de vento que sopram para o espaço. Dessa forma, quando a estrela morre, provavelmente possui um tamanho consideravelmente menor do que tinha quando nasceu.

"A estrela deveria estar muito menor quando morreu, com um tamanho não muito maior do que o da Terra", disse à BBC o professor Christopher Kochanek, da Ohio State University, um dos integrantes da equipe de astrônomos que fez a descoberta.

"Mas, apesar de seu tamanho reduzido, ela deveria estar bem quente: cerca de 100 mil graus na superfície. Basicamente, ela deve ter consumido todos os seus suprimentos de hidrogênio e hélio, deixando apenas o material que foi queimado produzindo gás carbônico e oxigênio", explicou.

De acordo com os astrônomos, há sinais de que a supernova possa desaparecer. Eles dizem que, nas próximas semanas, vão tentar entender os mecanismos relacionados ao fenômeno por meio do telescópio espacial Hubble.

"Há uma explosão e ocasionalmente todas as explosões tendem a desaparecer", afirmou Kochanek à BBC.

"Se ela nunca desaparecer nossa interpretação poderia estar equivocada. Por outro lado, se essa interpretação estiver errada, então é um fenômeno único", acrescentou.
 

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