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Bolsonaro volta a defender licença para matar nas operações de GLO

Evaldo Rosa dos Santos: um "engano" fez com que soldados despejassem 80 tiros no carro em que estava em companhia da família. Presidente quer excludente de ilicitude para casos assim - reprodução/Facebook
Evaldo Rosa dos Santos: um "engano" fez com que soldados despejassem 80 tiros no carro em que estava em companhia da família. Presidente quer excludente de ilicitude para casos assim Imagem: reprodução/Facebook
Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo, que publicou aqui o primeiro post no dia 24 de junho de 2006, é colunista da Folha e âncora do programa “O É da Coisa”, na BandNews FM. No UOL, Reinaldo trata principalmente de política; envereda, quando necessário — e frequentemente é necessário —, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

Colunista do UOL

21/02/2020 09h30

Num dado momento da "live" desta quinta, o presidente Jair Bolsonaro diz que vai procurar os presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, respectivamente. Para quê? Para cuidar da reforma tributária? Para cuidar da reforma administrativa? Para debater a emergência fiscal?

Não!

Bolsonaro passa a defender a criminosa proposta de excludente de ilicitude nas operações de Garantia da Lei e da Ordem, que corresponde a dar licença prévia aos militares para matar.

É uma falácia, uma mentira grotesca, um acinte à Inteligência a conversa de que, sem essa imunidade para matar, os militares estariam desprotegidos.

Operações dessa natureza já ocorreram em vários Estados. A mais ampla se deu no Rio de Janeiro, sob o comando do general Braga Netto, ainda na ativa e chefe da Casa Civil. Quantos casos conhecidos há de "perseguição injusta" a membros das Forças Armadas?

A verdade moral está precisamente no oposto. Se e quando houver a carta branca para matar, tragédias como a que colheu o músico Evaldo Rosa dos Santos e o catador Luciano Macedo, no Rio, vão se multiplicar. O carro em que ele estava, em companhia da família, foi alvejado por 80 tiros disparados por soldados do Exército em abril do ano passado. Luciano morreu horas depois de ser baleado enquanto tentava socorrer a família.

O soldado que segue os protocolos e o código da força a que pertence não precisa de excludente de ilicitude. Isso é uma fantasia e uma tara autoritária.

Tudo indica que a crescente "milicianização" das polícias ainda é pouco para Bolsonaro.

Reinaldo Azevedo