Chuvas continuam intensas no Norte e Nordeste até metade de maio

Do UOL Notícias*
Em São Paulo


As chuvas que atingiram o Nordeste e Norte do país durante o mês de abril devem continuar intensas durante a primeira quinzena de maio, de acordo com previsão da Somar Metereologia. Após o dia 15, a tendência é de diminuição, mas a trégua só deve vir em meados de junho.

Teve prejuízo com as chuvas no Nordeste e Norte?



Praticamente toda a região Nordeste registrou chuva acima da média no mês de abril, exceto o litoral de Sergipe e Alagoas e um trecho do litoral da Bahia, que se mantiveram dentro ou abaixo do esperado. O Maranhão, o meio-norte do Piauí e o oeste do Ceará foram as regiões mais atingidas, com 200 mm de chuva a mais do que a média.

No Maranhão, chega a 114.519 o número de pessoas atingidas pelas chuvas, segundo dados divulgados pela Defesa Civil Estadual hoje. Foram encontrados os corpos de seis vítimas das enchentes. Entre os afetados, 25.957 estão desalojados e outros 21.776 estão desabrigados. De ontem (3) para hoje, os rios Mearim e Itapecuru Mirim subiram cerca de 60 centímetros.

Já no Piauí, 4.991 famílias estão desabrigadas em 18 municípios do Estado. Levantamento divulgado pela Defesa Civil Estadual indica que a cidade mais atingida é a capital, Teresina, com 1.424 famílias atingidas.

Na Paraíba, a cidade de Patos, por exemplo, registrou o abril mais chuvoso da história, com 602 mm de chuva. A média do município para abril é 129,5 mm.

No Ceará, quatro municípios estão em situação de emergência. Quatro pessoas morreram (uma em Ubajara, um Frecheirinha e dois em Bela Cruz) e, de acordo a Defesa Civil local, até a última sexta-feira os desabrigados já somavam 5.892.

Já no Norte, a região mais atingida foi a metade leste do Pará, mas as chuvas também estiveram acima da média no centro e sudoeste do Amazonas, no Acre e no Tocantins. Em Tucuruí, no Pará, por exemplo, onde a média pluviométrica para o mês é 409 mm, a chuva atingiu 731 mm.

No Estado, o alto nível do Rio Tapajós, que ontem registrava 8.94 metros, já provocou estragos em pelo menos 17 cidades do lado oeste de suas margens. De acordo com a Defesa Civil, 48.550 moradores foram afetados, entre eles 4.455 ficaram desalojados e outros 165 estão desabrigados.

No Amazonas, as chuvas atingiram 34 mil famílias e provocaram a decretação de situação de emergência em cerca de 36 cidades. As cheias dos rio Juruá, Solimões, Perus, Madeira e Negro já atingem 38 dos 62 municípios do Estado.

Chuva histórica em abril

  • Reprodução

    O Maranhão recebeu muita chuva no Estado inteiro, prejudicando as lavouras. Em São Luís, desde 2001 não se via um abril tão chuvoso (desde 2002 até então, a cidade oscilava com abris entre a média e abaixo da média).

Chuvas no Norte, seca no Sul
O meteorologista Fábio Ângelo Feltrin explica que o aumento da intensidade das chuvas na região este ano já era esperado, devido à influência do fenômeno La Niña, que reduziu as chuvas no Sul e as concentrou no Norte do país.

As chuvas são causadas pela zona de convergência intertropical, um cinturão que favorece a concentração da umidade e que atua no verão e no início do outono no Brasil. De acordo com Feltrin, com a entrada do inverno, as chuvas começam a migrar para o Hemisfério Norte.

Conforme essa zona de convergência se afasta do Norte do país, a umidade da Amazônia se "desprende" e consegue chegar ao Sul do Brasil, favorecendo o retorno das chuvas às regiões que sofrem com a estiagem - como o Rio Grande do Sul e o interior de Santa Catarina e do Paraná.

Feltrin faz a ressalva de que chuvas esparsas devem voltar ao Sul a partir da segunda quinzena de maio, mas ainda não há previsão de regularização da situação. O cenário é crítico em municípios como Bagé, no Rio Grande do Sul, onde foi registrada em abril a estiagem mais intensa desde 1929, com média pluviométrica de 2,9 mm.

*Com informações da Agência Estado e da Folha Online

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