Proibidos de circular na Bandeirantes, caminhoneiros reclamam de falta de segurança e más condições no Rodoanel

Guilherme Balza e Raquel Maldonado

Do UOL Notícias
Em São Paulo

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), anunciou na manhã desta quarta-feira (28) que, em breve, os caminhões ficarão proibidos de circular nas avenidas dos Bandeirantes, Jornalista Roberto Marinho e na marginal Pinheiros entre 5h e 21h. Com a restrição, os caminhoneiros serão obrigados a utilizar o trecho sul do Rodoanel para acessar as rodovias Imigrantes e Anchieta, que ligam a capital à Baixada Santista.

A prefeitura pretende implantar a medida nas próximas semanas, após ajustes da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) em relação à sinalização e à comunicação aos motoristas. Caminhoneiros entrevistados pelo UOL Notícias --todos pegos de surpresa com o anúncio da medida-- afirmam que não há segurança, nem condições adequadas para a circulação no trecho sul do anel rodoviário.

“Para o Kassab exigir que a gente não use a Bandeirantes, deveria haver mais fiscalização e segurança no Rodoanel. Muitos caminhoneiros estão voltando a usar a Bandeirantes por medo”, diz Norival de Almeira Silva, presidente do Sindicam-SP (sindicato dos caminhoneiros autônomos de SP). 

O também autônomo Fred Leite afirma que a medida será “terrível”, já que, segundo ele, o Rodoanel ainda não tem condições de receber caminhões pela falta de segurança. “No começo até que eu usava muito, mas depois começaram os assaltos. Por esta razão voltamos a usar outras vias”, diz. 

O trecho sul do Rodoanel, que possui 61 km de extensão, começa na rodovia Régis Bittencourt e termina após a via Anchieta, em Mauá (SP). Em todo trecho sul, não há saídas, exceto nos acessos para as rodovias. Não há sinal de celular em várias partes, o que inviabiliza o funcionamento dos rastreadores que monitoram os caminhões. 

Além desses problemas, os caminhoneiros afirmam que a iluminação e sinalização são precárias e reclamam da ausência de postos de gasolina no trecho sul do Rodoanel. “Nenhum caminhoneiro quer enfrentar o trânsito da cidade. Mais do que os gastos econômicos, é um desgaste pessoal muito grande. Eu preferiria usar o Rodoanel se houvesse segurança, mas, como não há, prefiro enfrentar o trânsito da Bandeirantes, onde há segurança”, diz o presidente do Sindicam. 

José Fonseca Lopes, presidente da Associação Brasileira de Caminhoneiros (Abcam), discorda dos caminhoneiros que criticam o Rodoanel. “Não vejo motivo para questionamento e manifestações. O trânsito de São Paulo é um caos, e precisamos buscar soluções. O Rodoanel foi feito para isso. Além disso, o anúncio não pegou ninguém de surpresa. A medida já vinha sendo discutida há muito tempo”, afirma. 

Trecho sul do Rodoanel

William Freitas, responsável pela transportadora MWM Express, questiona a falta de segurança, argumentando que as empresas possuem rastreadores e bloqueadores, e elogia a qualidade do trecho sul do anel rodoviário. “A pista do Rodoanel é muito boa”. 

A Secretaria dos Transportes do Estado negou que não haja segurança no trecho sul do Rodoanel, argumentando que não há registros de roubos de carga na via. De acordo com a pasta, 19 carros da Polícia Militar Rodoviária e mais nove veículos da Dersa fazem o policiamento ostensivo do trecho.

O órgão disse que 51 câmeras de monitoramento estão sendo implantadas --atualmente existem apenas 10-- para gravar a movimentação no Rodoanel durante 24 horas. A secretaria afirma ainda que a sinalização e a iluminação estão de acordo com as normas do Contran (Conselho Nacional de Trânsito) e da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Sobre os problemas com sinal de celular, a secretaria afirmou que negocia com operadoras de telefonia a instalação de torres de recepção para cobrir os trechos sem sinal.

Prefeitura prevê lentidão 20% menor
Com a medida, a prefeitura espera que a lentidão no trânsito, nessas vias, diminua em até 20% nos horários de pico. Alguns profissionais questionam ainda se a nova regra anunciada por Kassab irá melhorar o trânsito dentro da capital paulista. 

“Essa medida não vai servir para nada. Eles querem diminuir o trânsito, mas a dinâmica das empresas será de substituir um caminhão por quatro ou cinco peruas. Isso só irá piorar mais o trânsito”, afirma José Carlos dos Santos, caminhoneiro autônomo de São Paulo. 

O curitibano Adílson Martins acredita que será “impossível” para os caminhoneiros circular na avenida dos Bandeirantes e na marginal Pinheiros dentro do horário permitido (21h às 5h). “Não vai ter jeito. O Rodoanel ainda não está pronto e tem vários problemas. Além disso, trabalhar durante o horário permitido é impossível aqui dentro de São Paulo.” 

Para o sergipano Marco Antonio Barbosa, os trabalhadores autônomos serão os mais afetados pela nova medida, já que, diferente dos funcionários de empresas, não recebem adicional noturno. “Eu que não trabalho dentro de São Paulo já vou sentir dificuldades. Imagina só quem faz entregas aqui dentro. Isso sem falar dos autônomos, que trabalhando de dia ou de madrugada ganham a mesma coisa”, diz. 

Outras medidas
O prefeito também anunciou nesta quarta-feira o fim do rodízio dos VUCs (veículos urbanos de carga, com até 6,30 metros de comprimento), que não podem circular na zona de máxima restrição (área um pouco menor do que o centro expandido) das 10h às 16h.

Até então, nos dias pares, apenas veículos com placas pares podiam transitar. Nos dias ímpares, somente veículos com placas ímpares.

No mesmo anúncio, Kassab disse que as motocicletas não poderão mais circular na pista expressa da marginal Tietê dentro de alguns dias.

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