Fiscalização apreende lençóis, fronhas e jalecos de hospitais dos EUA em galpões de empresa têxtil em Pernambuco

Aliny Gama
Especial para o UOL Notícias
Em Maceió

Uma inspeção da Apevisa (Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária) apreendeu amostras de lixo e descartes hospitalares dos EUA nas sedes da empresa Império do Forro de Bolso, nos municípios de Toritama e Santa Cruz do Capibaribe, no agreste pernambucano. As visitas aos dois galpões foram feitas nesta sexta-feira (14) e sábado (15). Os dois locais foram interditados por 90 dias.

A empresa alvo da fiscalização é a mesma que importou oito contêineres que chegaram ao porto de Suape este ano. Os dois últimos que chegaram foram inspecionados e estavam com 46,6 toneladas de lixo e restos hospitalares vindo dos EUA. Os seis primeiros contêineres que chegaram da Carolina do Sul não passaram por fiscalização alfandegária e acabaram chegando ao destino final, ou seja, aos dois galpões da empresa. 

Neste sábado, no galpão da filial da empresa em Toritama, a Apevisa colheu várias amostras de tecidos com manchas escuras –suspeita-se de que seriam sangue--, além de jalecos que estavam dentro dos fardos ainda intactos da forma que foram transportados dos EUA. O material, que era composto também fronhas e lençóis, tinha inscrições de hospitais norte-americanos. As amostras vão ser entregues ao IC (Instituto de Criminalística) nesta segunda-feira (17) para análise.

Evidências

Segundo o presidente da Apevisa, Jaime Brito de Azevedo, a apreensão dos fardos de tecidos e de forros de bolso prontos para venda ainda sujos evidenciam a suspeita de lixo hospitalar oriundo dos Estados Unidos.

“Direcionamos essa inspeção para a procura de peças de tecidos com evidências de serviços de saúde dos Estados Unidos. E encontramos tecidos brutos e forros de bolso já prontos, mas sujos e com identificações de hospitais dos EUA. Eram diversas logomarcas de instituições de saúde”, disse.

Sobre as penalidades, o presidente da Apevisa informou que elas só ocorrerão após a conclusão da análise das amostras do IC. O prazo da investigação é de 90 dias. “Com o material apreendido, deveremos saber exatamente do que se trata. Mas tudo indica que se trata de lixo e descartes hospitalares”, afirmou.

Azevedo informou ainda que, se comprovada que as manchas mesmo de sangue e oriundas de doentes de hospitais, a empresa pode ser multada em R$ 2.000 a R$ 1,5 milhão, já que expõe pessoas a risco de doenças.

“Há um risco grande de contaminação no manuseio desses produtos sem a segurança adequada. Quem manuseia corre o risco de contrair doenças muito maior do que quem compra a roupa com esse tecido, já que ele passa por processos físico-químicos. O que é grave é que esse tipo de material não é liberado para entrar no Brasil, mas entrou”, disse.

Outra investigação da Apevisa que está sendo feita é onde foram parar as sobras do material reutilizado pela empresa que importou o lixo hospitalar. O lixão da cidade deve passar por uma inspeção esta semana para rastreamento de material suspeito.

O UOL Notícias tentou entrar em contato com o diretor responsável pelo Império do Forro de Bolso, Altair Moura, mas ele não atendeu nem retornou às ligações.

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