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Líder de policiais grevistas rejeita proposta de reajuste do governo

Heliana Frazão

Do UOL, em Salvador

06/02/2012 01h40

O governo do Estado da Bahia ofereceu na noite deste domingo (5) o reajuste de 6,5% retroativo a 1º de janeiro, conforme informação do secretário de comunicação do governo, Robinson Almeida. Ainda conforme o secretário, o governo está disposto a negociar, desde que os policiais grevistas suspendam o movimento.

Entretanto, o soldado Marco Prisco, líder dos grevistas, rechaçou as propostas do governo. Disse há pouco que o percentual oferecido pelo Estado é linear, a todos os servidores públicos. “Isso não nos interessa. É obrigação do governo oferecer esse percentual a todos os servidores públicos, do contrário, passa a agir de forma inconstitucional. O que nós reivindicamos são valores devidos especificamente à polícia”, afirmou.

Nem mesmo a sugestão oficial de suspensão da greve para a retomada das negociações, encontrou eco junto aos militares amotinados no prédio da Assembléia Legislativa desde a quarta-feira (31). “Não tem negociação dessa forma. A única coisa que nos interessa é a revogação das prisões; anistia irrestrita aos policiais, e o pagamento das gratificações previstas em lei”, assinalou.

O líder sindical disse não temer uma possível prisão. “Não sou criminoso, não tenho porque ser preso. Só estou reivindicando direitos”, declarou.

Na avaliação de Prisco, a chegada da tropa de elite da Polícia Federal com o objetivo de executar os mandados de prisão expedidos pela Justiça, contra lideranças grevistas, pode resultar no agravamento da situação, que já é tensa.

“Queremos evitar o confronto. Não acho que o uso da violência, com repressão, possa surtir efeitos positivos. A meu ver, a melhor via para resolvermos esse impasse é o da política. Do contrário, pode acontecer uma catástrofe jamais vista em um movimento de greve na Bahia. Polícia enfrentando policiais armados, à flor da pele, como estamos aqui, depois de tantos dias de tensão, não pode dar certo”, disse, completando que a disposição é a de continuarem acampados na Assembléia Legislativa, apesar do pedido do presidente da Casa, deputado Marcelo Nilo (PDT), nesta tarde, de desocupação do prédio. Para tanto, eles estão em companhia de familiares, o que inclui mulheres grávidas e crianças. Eles também possuem provimentos para vários dias.

Na 6ª Região militar, no bairro da Mouraria, centro de Salvador, a cúpula militar está reunida desde o início da noite para definir a estratégia de reintegração da Casa Legislativa. Inicialmente essa desocupação deveria ter ocorrido até a meia-noite, o que não aconteceu.

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