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'O vandalismo afasta a população da causa', dizem usuários do transporte público em São Paulo

Gil Alessi

Do UOL, em São Paulo

12/06/2013 09h20

“Torço para que o movimento pela redução das tarifas tenha sucesso e o valor da passagem, que é injusto, abaixe”, diz Edilânia Santana, 25, assistente de condomínio, enquanto aguardava um ônibus na avenida Paulista, na manhã desta quarta-feira (12), menos de 24 horas depois de um grande protesto ocupar as principais vias de São Paulo. “Mas não gosto da forma como as manifestações são feitas, com vandalismo.”

O ponto onde ela estava, ao lado da estação Trianon-Masp, que teve o vidro estilhaçado durante as manifestações de ontem e, até a manhã de hoje, permanecia quebrado e coberto com tapumes.

A veterinária Isabela Viscoletto, 28, concorda. “Acho a causa justa e redução da tarifa beneficiaria muito a população, que poderia usar menos o carro e priorizar o transporte público. Torço pelo sucesso do movimento”, diz. “No entanto, acho que o vandalismo afasta a população da causa.”

Para Carolina Beroldo, 19, auxiliar administrativa, a manifestação “perde todo o seu valor quando prejudica os outros”. Porém, ela acredita que, pela qualidade do transporte, a tarifa de ônibus deveria ser gratuita.

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O protesto

Após quatro horas de uma peregrinação que começou na avenida Paulista, atravessou o centro de São Paulo e voltou para a Paulista, o terceiro e maior protesto do Movimento Passe Livre (MPL) contra o aumento das passagens de ônibus, trem e metrô terminou mais uma vez em confrontos violentos.

A praça da Sé teve prédios pichados e depredados. No parque Dom Pedro, ônibus foram danificados. Pelo menos duas pessoas ficaram feridas, incluindo um policial militar, e 16 foram presas.

Manifestantes quebraram lixeiras, pontos de ônibus e vidros de pelo menos nove agências bancárias, da Sé à Paulista. No Largo de São Francisco, a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) foi pichada. Na avenida Brigadeiro Luís Antônio, houve confusão quando o professor de uma academia de ginástica tentou impedir o vandalismo.

Entre 10 mil e 12 mil pessoas participaram da manifestação, segundo a Polícia Militar (PM) - a estimativa da Guarda Civil Metropolitana foi de 2,5 mil.

A tensão aumentou quando manifestantes ameaçaram invadir o terminal Parque Dom Pedro. Ônibus foram depredados e integrantes tentaram queimar um trólebus e uma caçamba de lixo. Foi quando a Tropa de Choque começou a atirar balas de borracha e bombas. Milhares de manifestantes que desciam a avenida Rangel Pestana voltaram para a Sé quando o cheiro de gás lacrimogêneo ficou insuportável. Parte do grupo seguiu para a Paulista e parte para a rua Conde de Sarzedas, em direção ao Glicério.

A marcha, engrossada por representantes da União Nacional dos Estudantes (UNE) e alas jovens do PT e do PSOL, além de estudantes de outros Estados, foi marcada por bloqueios da PM em pontos-chave.

Manifestantes começaram a se concentrar às 15h na praça dos Ciclistas, na Paulista. Às 16h30, o volume de pessoas era tão grande que a via foi bloqueada no sentido Consolação. A intenção inicial - de tomar a avenida, seguir para a Câmara Municipal e terminar no parque Dom Pedro - foi frustrada pelo cordão de isolamento da PM. O grupo seguiu para a Consolação, seguido por Tropa de Choque e bombeiros.

A chuva que caiu por volta das 18h chegou a dispersar alguns manifestantes, mas outros gritavam "vem para chuva, vem, contra o aumento". A marcha virou na Ligação Leste-Oeste, mas na avenida 23 de Maio a PM novamente impediu que eles continuassem. O grupo seguiu para a Sé e para o parque Dom Pedro, onde a Tropa de Choque os esperava.

Outro ato está marcado para quinta (13).

A campanha começou na quinta-feira passada (6), com um protesto que fechou a 23 de Maio, a Paulista e a 9 de Julho. Na sexta-feira (7), a marginal do Pinheiros foi bloqueada. Nos dois dias, também houve confronto. (Com Estadão Conteúdo)

  • Arte UOL

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