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Cão farejador empregado no caso Joaquim já ajudou a solucionar dois roubos em Ribeirão Preto

José Bonato

Do UOL, em Ribeirão Preto (SP)

2013-11-11T16:38:17

2013-11-11T21:10:15

11/11/2013 16h38Atualizada em 11/11/2013 21h10

O cachorro que indicou que o menino Joaquim Ponte Marques, 3, e o padrasto dele, Guilherme Longo, 28, percorreram um trecho de 200 metros da casa onde viviam até um córrego no qual o corpo da criança teria sido atirado já ajudou a Polícia Militar de Ribeirão Preto (313 km de São Paulo) a solucionar dois roubos.

Apache, um cão da raça bloodhound de dois anos e meio, foi adquirido de um criador de Sorocaba (99 km de São Paulo) por R$ 2.500, e sua raça é considerada pelo seu treinador, o soldado Ataíde Andrade dos Santos, 41, a que possui a maior acuidade olfativa do mundo.

"Essa raça tem 320 milhões de células olfativas e é a melhor do mundo nesse quesito. Já as demais raças têm 200 milhões de células olfativas", declara o soldado.

O cachorro recebeu roupas de Joaquim e do padrasto para cheirar e, em seguida, fez o mesmo trajeto até a margem do rio. Ao cheirar as roupas da mãe, a psicóloga Natália Ponte, 29, o animal fez percurso distinto.

O fato de o animal ter constatado que os dois foram até a margem do córrego, porém, não constitui uma prova cabal contra o padrasto, que é técnico de informática e casado com a mãe de Joaquim, 

De acordo com o treinador de Apache, a garantia de que o padrasto e o menino fizeram o percurso até o curso d'água é de acima de 90%, mas não é possível precisar, segundo ele, quando ocorreu essa caminhada. O garoto desapareceu de casa na madrugada de terça-feira passada (5).

No dia seguinte, quarta-feira (6), as buscas foram feitas sob chuva. Nessas condições, segundo o PM, as moléculas das pessoas sob o encalço do animal se conservam por mais tempo do que em dias ensolarados, por exemplo.

Úmidas, as moléculas duram até 15 dias. Em clima seco, até no máximo três dias, afirma o treinador de cães da PM. Isso quer dizer que o padrasto e o garoto podem ter feito o percurso não exatamente no dia do desaparecimento, mas antes.  

Apache se alimenta duas vezes ao dia e pesa 44 quilos. O animal caminha uma vez por semana com o treinador para não engordar. "Ele é um cão extremamente dócil, não ataca ninguém?".

O corpo do garoto Joaquim foi enterrado nesta segunda-feira (11) em São Joaquim da Barra (382 km de São Paulo), terra dos avós maternos. Ele sofria de diabetes e recebia seis doses diárias de insulina. O corpo foi encontrado no domingo (10) no rio Pardo, a 150 quilômetros de Ribeirão Preto.

A polícia levantou a hipótese, nesta segunda-feira, de a morte ter sido provocada por envenenamento ou por uma overdose de insulina --  o fato de não haver água no pulmão do menino, segundo exames do IML (Instituto Médico Legal), indica que ele já estava morto quando foi jogado no córrego.

Os principais suspeitos da morte de Joaquim são a mãe e o padrasto. Ambos estão presos temporariamente desde domingo e não tiveram autorização para comparecer ao velório da criança.

Investigações da polícia descartaram a possibilidade de uma terceira pessoa ter entrado no imóvel no dia do sumiço do menino.  

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