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Imigrantes em São Paulo veem sonho esbarrar em preconceito e dificuldades

Arte/UOL
Imagem: Arte/UOL

Fabiana Maranhão

Do UOL, em São Paulo

23/01/2014 12h00Atualizada em 23/01/2014 12h29

Com mais de 11 milhões de habitantes, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a cidade de São Paulo atrai imigrantes até os dias atuais. Eles vêm guiados por um sonho, mas acabam se deparando com dificuldades e preconceito. A cidade completa 460 anos neste sábado (25).

Após 30 anos em São Paulo, o músico boliviano Cecílio Portugal, 55, ainda se sente um estrangeiro. Com seu português com forte sotaque espanhol, ele diz ser vítima de preconceito. "Eu sinto na pele. Acham que sou traficante", diz.

  • Junior Lago/UOL

    Músico boliviano Cecílio Portugal, 55, toca flauta na praça da República

Mas Cecílio conta que não se importa mais com isso. Prefere dedicar o tempo à sua paixão: a música. De quinta a domingo, entre as 10h e as 13h, lá está ele na praça da República, na área central da capital paulista, divulgando seu trabalho enquanto toca flautas de bambu. 

Os bolivianos são a segunda maior comunidade de estrangeiros da capital paulista, ficando atrás apenas dos portugueses, segundo dados da Polícia Federal. Eles começaram a chegar em uma quantidade maior a partir da década de 90, junto com imigrantes de outros países sul-americanos e da África.

Mercado informal

Muitos desses estrangeiros têm em comum uma rotina de longas horas de trabalho e baixos salários no setor informal. “O perfil da migração sul-americana, com o protagonismo dos bolivianos, é de pessoas que vêm para o setor da mão-de-obra informal, sobretudo para o setor de confecção”,  afirma Paulo Illes, coordenador de políticas para imigrantes da Secretaria Municipal de Direitos Humanos.

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Em geral, os imigrantes que conseguem serviço em oficinas de costura trabalham e moram no mesmo lugar, afirma o padre Roque Patussi, coordenador do Cami (Centro de Apoio ao Migrante), entidade que presta assistência a cerca de 400 estrangeiros por mês. A maioria deles (80%) vem da Bolívia, mas a entidade atende pessoas vindas de várias partes do mundo.

“A maioria trabalha, vive, descansa e come no mesmo ambiente. É irregular, não deveria ser, mas acontece”, diz. 

“Muitos estão há meses e até um ano sem receber pagamento. Eles contam que na hora que querem voltar para seus países os donos das oficinas dizem que não devem nada a eles”, acrescenta. Patussi fala que a entidade tenta resolver o problema fazendo a mediação junto aos donos das oficinas.

Para tentar combater o problema, a prefeitura informa que criou no ano passado uma comissão de combate ao trabalho escravo. “O objetivo dela é verificar e fiscalizar casos de trabalho escravo, que deve ser combatido e varrido da cidade de São Paulo”, segundo o secretário municipal de Direitos Humanos, Rogério Sottili.

Estrangeiros vindos de países da África passam por situação semelhante aos sul-americanos. “Os africanos saem de uma situação de extrema pobreza e acabam sendo mão-de-obra irregular”, diz Paulo Illes.

  • Fabiana Maranhão/UOL

    Rylindis Etta Acha, 34, deixou Camarões porque "ouviu as pessoas falarem que no Brasil os direitos humanos são respeitados"

A camaronense Rylindis Etta Acha, 34, deixou há quase um ano o seu país e seus dois filhos --um menino de dois anos e uma menina de 11-- porque “ouviu as pessoas falarem que no Brasil os direitos humanos são respeitados”.

Sem visto de trabalho, ela faz ‘bicos’ pintando parede de apartamentos e casas para conseguir dinheiro para pagar o quarto que aluga na praça da Sé, no centro da capital. “Viver no Brasil é bom quando se tem trabalho. Mas quando não se tem, é muito difícil”, diz.

Sonhos

As barreiras com as quais se deparam e que precisam transpor não são suficientes para tirar o brilho dos olhos de muitos imigrantes quando falam sobre seus sonhos.

  • Fabiana Maranhão/UOL

    Alusine Bangura, 24, é formado em Economia. Deixou Serra Leoa para "viver em paz"

Formado em  Economia, Alusine Bangura, 24, de Serra Leoa, tem tido dificuldade de encontrar trabalho porque não fala português. “Quando não se tem trabalho é difícil de viver”, diz. Mas ele não pensa em desistir. “Sonho em completar meus estudos aqui no Brasil, conseguir um trabalho, ter uma família, viver em paz”.

O professor John Veillard, 30, também não sabe português. Ele deixou Porto Príncipe, capital do Haiti, em novembro do ano passado para ter uma vida melhor no Brasil. Com inglês, francês, espanhol e italiano fluentes, deseja conseguir um emprego de tradutor na capital paulista. "Deixei meu país para realizar um sonho", diz.

O homem de sorriso fácil tem pressa de achar um trabalho para poder ter dinheiro para pagar o quarto que aluga no bairro da Liberdade, na área central. Com visto permanente e qualificação, John está confiante de que vai, em breve, conseguir o que quer.

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