Coronel Telhada paga R$ 49 mil de verba pública a empresa que lançou sua HQ

Gil Alessi

Do UOL, em São Paulo

O vereador Paulo Adriano Lopes Lucinda Telhada (PSDB-SP), o coronel Telhada, gastou R$ 49 mil da verba de seu gabinete em pagamentos para a K9 Indústria Gráfica, empresa que lançou neste mês uma revista em quadrinhos com histórias do ex-comandante da Rota (Ronda Ostensiva Tobias Aguiar). Os dados são da seção "Transparência" do site da Câmara dos Vereadores de São Paulo.

Divulgação
Capa da revista em quadrinhos lançada pela K9

De acordo com o parlamentar, a publicação, que custou cerca de R$ 20 mil e é comercializada em bancas de jornal por R$ 5, foi financiada inteiramente com a ajuda de patrocinadores. "Não foi utilizado nem dinheiro público nem meu", afirmou à reportagem do UOL.

No período de agosto de 2013 – quando começaram os pagamento à K9 - até abril deste ano, o coronel foi um dos cinco parlamentares que mais gastaram dinheiro público com diagramação, arte e impressão gráfica: foram R$ 58.381. A média de gastos dos 55 vereadores da casa no período foi de R$ 29 mil.

Antes de trabalhar com a K9, Telhada gastava em média R$ 307 por mês com impressão e diagramação. Após a empresa começar a prestar serviços para seu gabinete, o valor subiu para R$ 6.503 mensais.

Telhada disse não ver nenhuma contradição ou problema ético em contratar com verba de seu gabinete uma empresa que realiza serviços privados para ele. "Pesquisamos várias gráficas, e a mais em conta foi a K9", afirmou.

Já para Gil Castello Branco, secretário geral da ONG Contas Abertas, "do ponto de vista ético [a prática] pode ser recriminada". "Não existe razão para fazer a contratação de uma empresa com a qual você faz negócios", afirma. "Quanto mais o político evitar essas situações, melhor. Muitas dúvidas sobre uma relação promíscua com empresas seriam evitadas caso outra companhia tivesse sido contratada."

Para Claudio Weber Abramo, diretor-executivo da Transparência Brasil, "a prática [contratar com dinheiro público uma empresa com qual você tem negócios] não é ilegal". "Como eles podem usar dinheiro para divulgar o mandato e a regulação é pequena, esse tipo de coisa acontece. Mas não é a melhor maneira de gastar dinheiro público."

A reportagem tentou, sem sucesso, falar com um representante da gráfica desde o dia 27.

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