Com greve de motoristas, Curitiba amanhece sem ônibus nas ruas

Jorge Olavo

Do UOL, em Curitiba

  • Vagner Rosario/Futura Press/Estadão Conteúdo

    Terminais ficam vazios com greve de ônibus em Curitiba

    Terminais ficam vazios com greve de ônibus em Curitiba

Curitiba (PR) amanheceu nesta segunda-feira (26) sem ônibus nas ruas. Cobradores e motoristas da rede integrada de transporte coletivo deram início à greve durante a madrugada.

A paralisação descumpre a ordem judicial de manter pelo menos 70% da frota circulando em horários de pico e 50% em outros momentos do dia. Ao todo, cerca de 2,2 milhões de pessoas dependem do transporte de ônibus em Curitiba e Região Metropolitana.

A greve foi anunciada pelos trabalhadores na última sexta-feira. A categoria reclama do atraso no pagamento do adiantamento salarial e de problemas na assistência médica da categoria.

De acordo com a prefeitura de Curitiba, apenas duas empresas metropolitanas de ônibus (Araucária Metropolitana e Reunidas, que atuam nos municípios de Araucária, Quitandinha e Fazenda Rio Grande) mantiveram ônibus circulando no primeiro horário da manhã.

Em nota, o Executivo municipal informou que a linha executiva, que liga o aeroporto ao centro da capital, também não está funcionando.

Para minimizar o impacto da paralisação, a prefeitura colocou 200 carros oficiais à disposição da Urbs – responsável por gerir o transporte coletivo – para fazerem transporte alternativo gratuito nesta segunda-feira.

Outra medida que está sendo adotada é o cadastramento de carros particulares para atuarem como lotação. O preço da tarifa é de até R$ 6. Taxistas também podem se cadastrar para fazer o serviço, no entanto, a tarifa cobrada deve ser a mesma dos outros veículos.

Frota mínima

No último sábado, o desembargador Benedito Xavier da Silva, do TRT (Tribunal Regional do Trabalho), determinou que o Sindimoc (sindicato da categoria) assegurasse ao menos 70% da frota entre 5h e 9h e entre 17h e 20h. Em caso de descumprimento, foi determinada multa de R$ 50 mil.

De acordo com um assessor do Sindimoc, o sindicato não foi notificado oficialmente pela Justiça sobre a manutenção de frota mínima. Portanto, os dirigentes entendem que não estão descumprindo a lei.

Em nota, o Setransp (sindicato que representa as empresas do setor) disse que esforços foram feitos para respeitar a frota mínima solicitada pela Justiça, mas também depende do apoio dos trabalhadores para que isso ocorra.

Uma audiência de conciliação e instrução está marcada para as 17h de hoje. Devem participar da reunião representantes do Ministério Público do Trabalho, prefeitura de Curitiba, governo do Estado, Sindimoc, Setransp, Urbs e Comec (Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba).

Terminais vazios

O UOL esteve na manhã de hoje no Terminal do Portão. Entre 6h e 6h20, horário em que normalmente o local está cheio de passageiros e vários ônibus, não havia ninguém no ponto de integração de linhas.

Apenas um segurança tomava conta do local. Marcos Vinícius Chella Rodrigues contou que entre 2h e 6h, apenas um ônibus da linha Araucária-Portão tinha trazido passageiros. "Trouxe um pessoal [um pouco antes das 6h], mas, sem poder embarcar em outros ônibus, a maioria seguiu de táxi", disse.

Algumas pessoas aguardavam do lado de fora do terminal conduções particulares ou lotações. A promotora de vendas Arlete Aguiar Neves esperava o transporte organizado pela GVT. "A empresa se organizou e avisou os funcionários que teriam várias rotas partindo de vários terminais. Foi bem organizado para atender todos os funcionários e todas as unidades da empresa."

Disputa política

De acordo com o Setransp, até a última sexta-feira, a dívida nos repasses que deveriam ser feitos pela prefeitura e pelo governo estadual somava R$ 18 milhões, o que estaria impedindo fazer o pagamento do adiantamento salarial dos trabalhadores.

A prefeitura esclareceu, em nota, que o atraso ocorre porque "o governo do Estado, desde outubro do ano passado, não faz o repasse do subsídio referente ao transporte metropolitano, totalizando uma dívida de R$ 16,5 milhões, sem contar janeiro de 2015". O comunicado diz que "o governo do Estado não apresentou nenhuma proposta de pagamento desta dívida e ainda quer reduzir o subsídio metropolitano de R$ 7,5 milhões para R$ 2,3 milhões/mês".

O convênio que estabelecia a parceria de subsídio expirou em 1º de janeiro de 2015. Desde então, prefeitura e governo estadual não chegaram a um acordo para que administração conjunta da rede seja mantida. O embate evidencia um desentendimento político entre o prefeito Gustavo Fruet (PDT) e o governador Beto Richa (PSDB).

Sem falar em valores devidos, a Comec (órgão ligado ao governo estadual) disse em nota divulgada na sexta-feira que tem tentado renegociar o convênio e afirmou que estudos recentes indicam discrepâncias no perfil dos passageiros do sistema, o que justificam um menor aporte financeiro por parte do governo estadual.

No começo deste ano, a categoria já tinha ameaçado fazer uma greve. O movimento foi controlado por uma manobra da prefeitura, que liberou R$ 3,8 milhões para pagar o salário atrasado dos trabalhadores.

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