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Defensoria Pública do PR contraria Richa e nega black blocs em confronto

Fabiana Maranhão

Do UOL, em Curitiba

02/05/2015 11h34

Contrariando o que afirmou o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), a Defensoria Pública do Estado negou o envolvimento de black blocks no confronto entre a Polícia Militar e professores na última quarta-feira (29), quando centenas de pessoas ficaram feridas em Curitiba.

Em nota, o Grupo de Trabalho de Direito Penal da Defensoria afirmou que 12 pessoas, entre professores, servidores públicos e estudantes, foram detidas, e dois adolescentes, apreendidos. Eles foram ouvidos, autuados por crimes como resistência, desacato e perturbação do trabalho ou sossego alheio e liberados em seguida.

"Membros da Defensoria Pública acompanharam todo o procedimento de autuação em relação às pessoas que não tinham advogado particular constituído", diz o comunicado assinado pelos defensores Caio Watkins e Monia Regina Damião Serafim.

"Destaque-se que nenhuma das pessoas detidas foi autuada em virtude da prática de crime de dano ao patrimônio público ou privado, porte de arma ou artefato explosivo, não havendo nenhum indício de que tais manifestantes sejam integrantes de grupos denominados black blocs", diz ainda o texto.

Em entrevista ao jornal "Folha de S.Paulo" no dia do confronto, Richa defendeu a ação da PM, que usou balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo, e afirmou que foram identificados black blocs infiltrados entre os manifestantes.

"Partiram para cima dos policiais com as grades de contenção e estavam preparando coquetel molotov quando foram detidos", disse.

De acordo com Richa, sete black bocks foram detidos. No dia seguinte, a polícia informou que os detidos estavam com pedras, pedaços de pau e barras de ferro e que foram apreendidos coqueteis molotov.

Professores, servidores públicos e estudantes protestavam contra a votação de projeto de lei na Assembleia Legislativa que altera a previdência dos servidores do Estado. A matéria foi sancionada pelo governador um dia depois.

A reportagem do UOL entrou em contato neste sábado (2) com a secretaria de Comunicação do governo estadual, mas até o momento não teve resposta.

Cotidiano