Desastre de Mariana causou prejuízo inicial de R$ 1,2 bilhão só em MG

Carlos Eduardo Cherem

Colaboração para o UOL, em Belo Horizonte

  • Carlos Eduardo Cherem/UOL

    Os sinais de destruição da vila de Paracatu não deixam dúvidas sobre a dimensão do desastre após o rompimento da barragem do Fundão, da Samarco

    Os sinais de destruição da vila de Paracatu não deixam dúvidas sobre a dimensão do desastre após o rompimento da barragem do Fundão, da Samarco

O rompimento da barragem de Fundão, da mineradora Samarco, em Mariana (MG), que nesta sexta-feira (5) completa três meses, causou um prejuízo inicial de R$ 1,2 bilhão, atingindo 35 municípios de Minas Gerais e atingiu uma população estimada em 320 mil pessoas, segundo dados do levantamento divulgado nesta quinta-feira (4) pela força-tarefa do governo de Minas Gerais para avaliar "os efeitos e os desdobramentos tragédia".

O levantamento não leva em conta os transtornos causados no Espírito Santo, nem as questões de indenização às vítimas e os valores para a recuperação do Rio Doce.

Em nota, a Samarco afirmou nesta quinta-feira (4) que "desconhece o valor apresentado". De acordo com o informe, a mineradora "vem dialogando com o governo de Minas Gerais um acordo envolvendo União, Espírito Santo, dentre outros atores" para tratar da questão.

Os estudos da força-tarefa tiveram a participação, além das prefeituras desses 35 municípios, de 80 organizações e entidades que contribuíram com pesquisas, relatórios, trabalhos de campos, programas e projetos para o levantamento.

O estudo ainda indicou que essas prefeituras gastaram R$ 145 milhões para enfrentar a situação após o desastre, sobretudo a falta de água. O levantamento aponta que o governo de Minas Gerais gastou, somente em 5 novembro, dia da tragédia, R$ 12 milhões nas ações relacionadas ao rompimento da barragem da Samarco. Outros R$ 531 milhões foram gastos posteriormente. A iniciativa privada, ainda de acordo com o relatório, foi responsável por mais R$ 540 milhões de gastos por conta do desastre.

Ao longo do rio Doce

"Eles (os relatórios) serão importantes porque vão dar sustentação na ação civil pública movida pelo Estado", afirmou o secretário de Desenvolvimento Regional e Política Urbana de Minas Gerais Tadeu Martins Leite, responsável pela divulgação do documento.

O levantamento indicou que a lama de rejeitos de minério de ferro comprometeu a qualidade da água desde o local do rompimento da barragem até a foz do rio Doce. Por causa disso, prejudicou o abastecimento animal, humano e a captação de água em diversos distritos e vilarejos desses municípios. Além da destruição no rio Doce, a lama causou assoreamento dos rios Gualaxo do Norte e Carmo.

Ao longo de 77 quilômetros de cursos d'água, do local do rompimento, até a usina hidrelétrica Risoleta Neves, o sedimento provocou processos erosivos, remodelou o relevo, alterou o curso dos rios e deixou o solo com baixa fertilidade. Foram estimadas a mortandade de mais de onze toneladas de peixes nesse trecho, com a lama ameaçando também espécies em extinção e comprometendo a reprodução animal e o fluxo migratório. 

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