Ministro das Cidades diz que governo Dilma "passou cheques sem fundo"

Do UOL, em São Paulo

  • André Dusek/Estadão Conteúdo

    Bruno Araújo, ministro das Cidades

    Bruno Araújo, ministro das Cidades

O ministro das Cidades, Bruno Araújo, afirmou nesta quinta-feira (2), em Brasília, que o governo da presidente afastada, Dilma Rousseff (PT), foi o responsável pelos cortes na faixa 1 do programa Minha Casa, Minha Vida e em outras áreas da pasta. Eleito deputado federal pelo PSDB de Pernambuco, ele também disse que o governo Dilma criou expectativas falsas ao prometer investimentos sem a certeza de ter verbas. "O Ministério das Cidades [no governo Dilma] foi o maior passador de cheques sem fundo do planeta."

Araújo fez uma apresentação da situação dos programas do ministério. Além do Minha Casa, Minha Vida, ele mostrou dados dos programas de mobilidade e de saneamento. Com base no orçamento da pasta em 2016, afirmou que seriam necessários pelo menos 40 anos para honrar os compromissos assumidos pelo governo Dilma.

O tucano declarou que o governo da presidente afastada teve uma "gestão temerária", "trabalhou de forma mentirosa" e fraudou as expectativas de governos estaduais, prefeituras e da população. O UOL procurou a assessoria de Dilma, mas ainda não há uma resposta da presidente afastada.

Na gestão da petista, o Ministério das Cidades era comandado por Gilberto Kassab (PSD), que no governo do presidente interino Michel Temer (PMDB) atua como ministro da Ciência, Tecnologia e Comunicações. Araújo foi perguntado por um jornalista se conversou com Kassab sobre a situação das Cidades, mas evitou responder.

Em função da crise econômica, o Ministério das Cidades sofreu cortes de recursos em 2015 e 2016. Isso implicou redução de investimentos nos programas.

Araújo afirmou que a situação mais dramática é a da CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos), responsável pela administração de sistemas de metrô em Belo Horizonte, Recife, Maceió, João Pessoa e Natal. Segundo o ministro, podem faltar recursos para o pagamento de contas de luz, o que colocaria em risco a operação dos sistemas.

Agora, ele deve pedir ao Ministério da Fazenda e a Temer a liberação de R$ 5 bilhões para investir nos programas e na companhia.

Minha Casa, Minha Vida

O tucano voltou a negar que o programa Minha Casa, Minha Vida será interrompido. "O programa não vai acabar, continua prioritário." Segundo Araújo, o governo interino manterá os investimentos nas faixas 2 e 3 do programa e buscará recursos para a faixa 1, que atende a população de mais baixa renda.

Ele declarou que o governo Dilma reduziu a zero a contratação de unidades do programa na faixa 1. Afirmou, porém, que nessa faixa há 51 mil unidades em construção e 67 mil concluídas à espera de regularização na documentação.

O ministro também negou que tenha sido um recuo o anúncio feito ontem à noite de que serão publicadas em breve duas portarias do Minha Casa, Minha Vida suspensas logo no início do governo Temer.

As portarias estabelecem novas contratações do programa. "As portarias foram revogadas para serem relançadas. Estão praticamente prontas, com aprimoramentos." De acordo com ele, elas serão publicadas até o final da próxima semana.

O anúncio feito ontem aconteceu no momento em que integrantes do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) ocupavam a entrada do prédio que abriga a secretaria da Presidência em São Paulo, na avenida Paulista. 

Em 2016, o Ministério das Cidades possui R$ 6,92 bilhões para o Minha Casa. São necessários outros R$ 4,5 bilhões para cumprir todos os contratos com pagamentos previstos para este ano.

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