Violência em São Paulo

Veja o que se sabe até agora sobre o atirador de Campinas

Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução/Facebook

    Sidnei e o filho João Victor

    Sidnei e o filho João Victor

A festa de Réveillon de uma família no Jardim Aurélia, bairro de classe média de Campinas, terminou em tragédia neste final de semana. Sidnei Ramis Araújo, 46, foi o autor da chacina que matou 12 pessoas, entre elas o filho, João Victor Filier de Araújo, 8 anos, e a ex-mulher Isamara Filier, 41. 

Até o momento, sabe-se que o atirador-- que se matou depois do crime-- era técnico de laboratório do CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais) e travava uma batalha na Justiça pela guarda do filho. O casal estava separado há cerca de três anos.

O corpo do atirador foi velado e enterrado no Cemitério Municipal de Jaguariúna, na manhã desta segunda (2), cidade a cerca de 30 km de Campinas onde vivem os pais dele.

Reservado e de bem com a vida

Segundo o pai de Sidnei, o filho era tímido e muito retraído. "Ele sempre foi assim. Ninguém sabia pelo o que ele estava passando", afirmou em entrevista a Folha de S. Paulo.

O técnico morava sozinho em um apartamento próximo à rodovia Anhanguera, desde a separação. Vizinhos de Sidnei e da casa onde o crime aconteceu afirmaram que o atirador parecia ser uma pessoa tranquila e de bem com a vida.

Moradores da Vila Proost de Souza, bairro em que Sidnei cresceu, ainda tentam entender o crime. Uma moradora disse que o atirador foi muito amigo de seu irmão na infância e que os dois chegaram a servir juntos no Exército. Ela também contou que o pai de Sidnei tinha uma espécie de mercearia ali no bairro, bem na esquina do quarteirão onde fica a casa que foi palco do crime.

Depois da separação, o atirador raramente era visto no bairro. "É uma tragédia terrível. A mãe dele passou há pouco tempo por uma cirurgia no coração. O pai também é vivo e agora perdeu, de uma só vez, o filho e o neto. Não dá para entender o que passou na cabeça dele", disse outra moradora da vila.

Técnico de laboratório 

Segundo seu currículo acadêmico (plataforma Lattes), o atirador fez um curso profissionalizante na ETEC (Escola Técnica Estadual de São Paulo) Bento Quirino, em Campinas, entre 1987 e 1991. Na publicação, ele afirmou possuir certificações emitidas por instituições do Reino Unido, Estados Unidos e Holanda.

Sidnei trabalhava como técnico de laboratório no CNPEM desde 1991. 

Acusado de abuso sexual

Em 2012, a ex-mulher Isamara acusou Sidnei de abuso sexual contra o filho do casal. A Justiça considerou que as acusações "não eram cabalmente comprovadas", mas a criança-- na época com três anos-- não devia ser afastada totalmente do convívio paterno.

Segundo a decisão judicial, o atirador tinha autorização para visitar o filho em domingos alternados, na casa de Isamara, entre 9h e 12h.

Briga na Justiça pela guarda do filho

Desde que a Justiça determinou dias e horários para a visita ao filho, Sidnei tentava reverter o regime de visitação.

Em uma carta enviada para amigos antes de cometer os assassinatos, o técnico fez críticas à ex-mulher e a acusou de tê-lo afastado do filho.

"Ela não merece ser chamada de mãe, mas infelizmente muitas vadias fazem de tudo que é errado para distanciar os filhos dos pais e elas conseguem, pois as leis deste paizeco são para os bandidos e bandidas", diz um trecho da carta (mantido na grafia e com os termos originais).

O crime

Faltando poucos minutos para a meia-noite, Sidnei pulou o muro da casa em que a ex-mulher e o filho festejavam em família a virada de ano e começou a atirar. Ao todo, 12 pessoas foram mortas e três vítimas baleadas se encontram em hospitais da região.

A polícia foi chamada após um dos sobreviventes, de 17 anos, ter conseguido se esconder no banheiro. Em seu depoimento, o jovem disse que no começo achou que os disparos eram fogos de artifícios. Ao perceber que se tratavam de tiros, correu para um banheiro da casa e se trancou no local. Um outro sobrevivente também conseguiu fugir do atirador ao se esconder no banheiro.

As vítimas fatais foram sepultadas na manhã de hoje

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, o atirador portava uma pistola 9mm, com cartucho reserva. Além disso, artefatos que aparentavam ser explosivos foram encontrados com ele.

No carro de Sidnei, foram encontrados um gravador e um celular com a senha anotada num papel. O crime foi registrado como homicídio consumado, tentado e suicídio.

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