À espera de Exército nas ruas, Natal tem centro deserto e praias lotadas

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Natal

  • Beto Macário/UOL

A sequência de 32 ataques a prédios e veículos em menos de 48 horas levou Natal a viver, nesta sexta-feira (20), duas rotinas distintas, que parecem dividir a população: a de uma cidade sitiada pelo medo para quem precisa trabalhar e a de um ponto turístico badalado para quem está a passeio.

Enquanto o centro comercial está praticamente vazio pela falta de ônibus e pela insegurança, as praias da capital lucram com o mês de janeiro --o melhor da alta temporada.

Pela manhã, o Sindicato das Empresas de Transporte Público informou que os ônibus foram retirados de circulação por conta de um novo ataque a dois veículos, incendiados na garagem de uma empresa na zona norte de Natal.

Os ataques a ônibus são uma resposta da facção Sindicato do Crime, que teve 220 integrantes transferido de Alcaçuz na quarta-feira. Eles protestam porque querem que, em vez deles, presos do PCC saiam da penitenciária.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social, militares do Exército devem começar a patrulhar as ruas a partir de hoje e tentar restabelecer o clima de ordem na capital potiguar.

Beto Macário/UOL
20.jan.2017 - Algumas lojas não chegaram a abrir as portas no Centro de Natal

Centro vazio...

O Centro de Natal, região que normalmente tem grande fluxo de pessoas, está praticamente deserto. Apenas poucos compradores e comerciários esperam os clientes nas lojas vazias.

A comerciante Aparecida Lucas, 54, afirma que as vendas de lanches caíram mais da metade desde a quinta-feira. "Eu vendo 35 a 40 salgados por dia. Ontem, foram nem 15, joguei todo o resto", afirma a mulher, que tem um quiosque na avenida Rio Branco, a principal e mais movimentada do Centro de Natal.

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20.jan.2017 - A comerciante Aparecida Lucas, 54, afirma que as vendas de lanches caíram

Um dos motivos do "deserto" é a falta de opções de transporte. A estudante de enfermagem Gislaine Lourenço, 21, esperava há meia hora para pegar condução e chegar até o centro da cidade. "Não passou nada, só alguns alternativos, mas para outras rotas", afirma.

A jovem conta que perdeu aula nesta quinta. "Hoje a aula foi cancelada justamente por isso, pela falta de ônibus e pelo medo das pessoas", conta.

"Peguei um transporte, vim esmagada como uma sardinha e passei uma hora e meia para chegar ao centro. Absurdo demais", conta a dona de casa Carlinda Vieira, 55.

Em meio à crise de segurança, muitos esperam que a chegada do Exército ajude: "Vai melhorar muito! Da outra vez, com os caminhões passando, não teve essa violência que está agora", diz o comerciário Adilson Vieira, 57.

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20.jan.2017 - Praia lotada em Natal em plena crise de segurança pública pela qual passa a capital potiguar

...Praias lotadas

Em contraponto ao medo dos natalenses, os turistas que lotam a cidade seguem a rotina de passeios A todo tempo, empresas de receptivo turístico buscam clientes para passeios. "Para nós, não mudou nada, porque os turistas não vão deixar de passear estando aqui já", conta um motorista que pegava um grupo de hóspedes na em um hotel na praia da Areia Preta.

Na praia de Ponta Negra, turistas lotam a areia. Alguns esperam até vaga em cadeiras de ambulantes que tomam conta do local. Pelo menos duas viaturas da polícia Militar fazem segurança no local.

Beto Macário/UOL
20.jan.2017 - Para os turistas, o passeio continua mesmo com os problemas na penintenciária de Alcaçuz

O aposentado Euller Braga, 80, vem do Rio de Janeiro e conta que não vai mudar a rotina por conta da crise.

"Aqui está igual ao Rio de Janeiro, que sempre é assim. Lá tem tudo isso, assalto, violência, e a gente tem que viver. Todo mundo tem medo de bandido, mas tem que sair de casa", diz.

Na praia há também nativos que ignoram a crise. "Não estou com medo, acho que a briga deles é com o governo e entre as facções, não vão chegar até a gente", conta a enfermeira Kelly Ferreira, 36, que curte a folga com a família na praia.

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