Violência no Rio

Troca de turno de batalhões ocorreu "de forma adequada", diz PM do Rio

Ronald Lincoln Jr

Colaboração para o UOL, do Rio

  • Marco Antonio Teixeira/ UOL

    Parentes de policiais militares montam barraca e fazem lanche na entrada do 16º Batalhão, em Olaria. O grupo protesta por melhores condições de trabalho e pagamentos em dia

    Parentes de policiais militares montam barraca e fazem lanche na entrada do 16º Batalhão, em Olaria. O grupo protesta por melhores condições de trabalho e pagamentos em dia

As mudanças de turnos dos batalhões da Polícia Militar do Rio foi realizada com "tranquilidade", e os agentes conseguiram dar início aos patrulhamentos na tarde desta sexta-feira (10), apesar do protesto de familiares de policias, informou o Comando da PM.

Normalmente, a troca de plantões ocorre por volta de 17h. Havia a ameaça de que os manifestantes impediriam a saída dos efetivos para rua. Mas, em nota, a PM disse que "cada batalhão viabilizou a troca de turno de forma adequada e estratégica".

No 3° Batalhão (Méier), na zona norte, porém, alguns policiais foram impedidos de sair pelos manifestantes. Houve um princípio de tumulto entre as partes e, após, áspera discussão, alguns agentes deixaram o local em cinco viaturas. Em outros batalhões, a estratégia utilizada foi fazer a troca de turno na rua.

Polícia e familiares de PMs batem boca em bloqueio no Rio

 

Os familiares protestam contra o atraso do 13º salário e do RAS (Regime Adicional de Serviço) das Olimpíadas. Os parentes reivindicam também que os salários voltem a ser pagos em dia, o que não acontece há pelo menos um ano, além de melhores condições de trabalho.

Em entrevista no começo da noite, o secretário de Segurança Pública, Roberto Sá, fez um apelo às famílias de policiais e pediu "um tempo mínimo" para que o governo de Luiz Fernando Pezão (PMDB) pague o 13º salário e adicionais de metas e jornadas extras atrasados. Segundo o secretário, se o governo tiver êxito nas votações na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) na semana que vem, serão tomadas "medidas administrativas" para iniciar tais pagamentos, como a elaboração de um calendário.

"As causas são legítimas", disse Sá. "Mas preciso dizer também que eles não estão desassistidos."

O secretário se disse preocupado com a forma como as famílias estão protestando e citou o que está acontecendo no Espírito Santo, onde um movimento similar desencadeou uma onda de violência que, segundo policiais civis, deixou mais de 100 mortos desde sábado (4).

De acordo com Sá, impedir os policiais de trabalhar não vai ajudar a acelerar o recebimento dos pagamentos atrasados e ainda coloca toda a população em risco, inclusive as próprias famílias de oficiais.

"A polícia é a última barreira para a barbárie", afirmou.

Sá também criticou a disseminação de boatos por meio de plataformas como WhatsApp, Facebook e Twitter. Na quinta (9), o governador Pezão disse que quem espalha rumores deve ser preso.

"É importante que a sociedade tenha responsabilidade quando recebe uma notícia e repassa. Isso causa um pânico que não interessa a ninguém."

O secretário também agradeceu o profissionalismo das polícias civil e militar e disse que os prefeitos de Rio, Niterói e Duque de Caxias colocaram suas guardas municipais à disposição para auxiliar em rondas.

Sobre uma eventual participação das Forças Armadas e da Força Nacional, Sá disse que ambas estão "em condições de atuar" no Rio. "Espero não precisar", afirmou.

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