Pela 1ª vez na década, Brasil deixa de avançar em ranking de qualidade de vida

Gabriela Fujita*

Do UOL, em São Paulo

  • Adriana Zehbrauskas/'The New York Times'

    Crianças brincam em área alagada de favela do Recife

    Crianças brincam em área alagada de favela do Recife

Pela primeira vez desde 2010, o Brasil manteve a nota e a mesma posição entre as 188 nações pesquisadas no ranking de desenvolvimento humano da ONU (Organização das Nações Unidas), apresentado nesta terça-feira (21). O país figura em 79º lugar na lista, mesma posição do ranking anterior. A nota também é a mesma do ano anterior: 0,754 --quanto mais perto de 1, melhor é a avaliação.

De acordo com informações do Pnud, o Brasil melhorou nos critérios de saúde e educação, mas piorou no de renda, o que provocou sua estagnação no ranking mundial de IDH.

Os dados servem de base para o relatório 2016 do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) e são de 2015. Portanto, não levam em consideração os acontecimentos dos últimos meses do mandato de Dilma Rousseff nem políticas adotadas pelo governo Michel Temer.

Veja as notas de IDH do Brasil desde 2010:

  • 2010: 0,724
  • 2011: 0,730 
  • 2012: 0,734
  • 2013: 0,747
  • 2014: 0,754
  • 2015: 0,754

Para a avaliação do IDH, além da dimensão econômica (renda nacional bruta), também são utilizados indicadores em saúde (expectativa de vida) e educação (média de anos de estudo e expectativa de anos de estudo).

No ranking 2016, a posição 79 é compartilhada pelo Brasil com a ilha caribenha de Granada.

Na América do Sul, o país tem o quinto maior IDH, ficando atrás de Chile, Argentina, Uruguai e Venezuela (nesta ordem). Argentina, Chile e Uruguai têm todos os indicadores, sociais e econômicos, maiores do que os brasileiros. No caso da Venezuela, é melhor o item sobre renda nacional bruta e piores os que correspondem a expectativa de vida e anos esperados de estudo.

Os cinco primeiros países na lista são: Noruega (0,949), Austrália e Suíça (0,939), Alemanha (0,926) e Dinamarca e Cingapura (0,925).

Na escala de desenvolvimento global, o Brasil está entre os países avaliados como de "alto desenvolvimento humano", que é a segunda melhor classificação. A primeira é "muito alto", e as outras duas são "médio" e "baixo".

"Severidade da crise"

Em nota oficial, nesta terça-feira, a Secretaria de Comunicação do Palácio do Planalto disse que "os dados divulgados ilustram a severidade da crise da qual apenas agora o país vai saindo". "O resultado do conjunto de transformações em curso sob a liderança do presidente Michel Temer deve refletir-se, ao longo das próximas edições do índice, em uma melhoria, tanto absoluta, como relativa de nosso número."

"Medidas como o controle das contas públicas, garantia dos gastos em saúde e educação, garantia do acesso à água por meio da conclusão do Projeto São Francisco, retomada do crescimento e do emprego se combinam para recolocar o país nos trilhos e criar uma realidade que logo será refletida nos indicadores internacionais", finaliza o comunicado.

Entre os 51 países avaliados como de "alto desenvolvimento humano", estão, por exemplo, Canadá, Estados Unidos, Argentina, Chile, Rússia, Austrália, Nova Zelândia, Japão e Israel.

Dos 55 no patamar "alto", como o Brasil, estão também Uruguai, México, Cuba, Tailândia, Malásia, Turquia e Líbano.

Entre os 41 avaliados como "médio" estão, por exemplo, Paraguai, Bolívia, Guatemala, Índia, Egito, África do Sul, Congo e Palestina.

No patamar "baixo" estão 41 países, quase todos na África, como Nigéria, Angola, Moçambique e República Democrática do Congo, e ainda Síria, Haiti, Afeganistão e Ilhas Salomão. Abaixo, o ranking completo:

Países com desenvolvimento humano muito alto:

1 - Noruega - 0,949
2 - Austrália - 0,939
2 - Suíça - 0,939
4 - Alemanha - 0,926
5 -  Dinamarca - 0,925
5 - Cingapura - 0, 925
7 - Holanda - 0,924
8 - Irlanda - 0,923
9 - Islândia - 0,921
10 - Canadá - 0,920
10 - Estados Unidos - 0,920
12 - Hong Kong - 0,917
13 - Nova Zelândia - 0,915
14 - Suécia - 0,913
15 - Liechtenstein - 0,912
16 - Reino Unido - 0,909
17 - Japão - 0,903
18 - Coreia do Sul - 0,901
19 - Israel - 0,899
20 - Luxemburgo - 0,898
21 - França - 0,897
22 - Bélgica - 0,896
23 - Finlândia - 0,895
24 - Áustria - 0,893
25 - Eslovênia - 0,890
26 - Itália - 0,887
27 - Espanha - 0,884
28 - República Tcheca - 0,878
29 - Grécia - 0,866
30 - Brunei  - 0,865
30 - Estônia - 0,865
32 - Andorra - 0,858
33 - Chipre - 0,856
33 - Malta - 0,856
33 - Qatar - 0,856
36 - Poland - 0,855
37 - Lituânia - 0,848
38 - Chile - 0,847
38 - Arábia Saudita - 0,847
40 - Eslováquia - 0,845
41 - Portugal - 0,843
42 - Emirados Árabes - 0,840
43 - Hungria - 0,836
44 - Letônia - 0,830
45 - Argentina - 0,827
45 - Croácia - 0,827
47 - Bahrein - 0,824
48 - Montenegro - 0,807
49 - Rússia - 0,804
50 - Romênia - 0,802
51 - Kuwait - 0,800

Países com desenvolvimento humano alto

52 - Belarus - 0,796
52 - Omã - 0,796
54 - Barbados - 0,795
54 - Uruguai - 0,795
56 - Bulgária - 0,794
56 - Cazaquistão - 0,794
58 - Bahamas - 0,792
59 - Malásia - 0,789
60 - Palau - 0,788
60 - Panamá - 0,788
62 - Antígua e Barbuda - 0,786
63 - Seychelles - 0,782
64 - Maurício - 0,781
65 - Trinidad e Tobago - 0,780
66 - Costa Rica - 0,776
66 - Sérbia - 0,776
68 - Cuba - 0,775
69 - Irã - 0,774
70 - Geórgia - 0,769
71 - Turquia - 0,767
71 - Venezuela - 0,767
73 - Sri Lanka - 0,766
74 - São Cristóvão e Névis - 0,765
75 - Albânia - 0,764
76 - Líbano - 0,763
77 - México - 0,762
78 - Azerbaijão - 0,759
79 - Brasil - 0,754
79 - Granada - 0,754
81 - Bósnia-Herzegovina - 0,750
82 - Macedônia - 0,748
83 - Argélia - 0,745
84 - Armênia - 0,743
84 - Ucrânia - 0,743
86 - Jordânia - 0,741
87 - Peru - 0,740
87 - Tailândia - 0,740
89 - Equador - 0,739
90 - China - 0,738
91 - Fiji - 0,736
92 - Mongólia - 0,735
92 - Santa Lúcia - 0,735
94 - Jamaica - 0,730
95 - Colômbia - 0,727
96 - Dominica - 0,726
97 - Suriname - 0,725
97 - Tunísia - 0,725
99 - República Dominicana - 0,722
99 - São Vicente e Granadinas - 0,722
101 - Tonga - 0,721
102 - Líbia - 0,716
103 - Belize - 0,706
104 - Samoa - 0,704
105 - Maldivas - 0,701
105 - Uzbequistão - 0,701

Países com desenvolvimento humano médio

107 - Moldávia - 0,699
108 - Botsuana - 0,698
109 - Gabão - 0,697
110 - Paraguai - 0,693
111 - Egito - 0,691
111 - Turcomenistão - 0,691
113 - Indonésia - 0,689
114 - Palestina - 0,684
115 - Vietnã - 0,683
116 - Filipinas - 0,682
117 - El Salvador - 0,680
118 - Bolívia - 0,674
119 - África do Sul - 0,666
120 - Quirguistão - 0,664
121 - Iraque - 0,649
122 - Cabo Verde - 0,648
123 - Marrocos - 0,647
124 - Nicarágua - 0,645
125 - Guatemala - 0,640
125 - Namíbia - 0,640
127 - Guiana - 0,638
127 - Micronésia - 0,638
129 - Tadjiquistão - 0,627
130 - Honduras - 0,625
131 - Índia - 0,624
132 - Butão - 0,607
133 - Timor-Leste - 0,605
134 - Vanuatu - 0,597
135 - Congo - 0,592
135 - Guiné Equatorial - 0,592
137 - Kiribati - 0,588
138 - Laos - 0,586
139 - Bangladesh - 0,579
139 - Gana - 0,579
139 - Zâmbia - 0,579
142 - São Tomé e Príncipe - 0,574
143 - Camboja - 0,563
144 - Nepal - 0,558
145 - Mianmar - 0,556
146 - Quênia - 0,555
147 - Paquistão - 0,550

Países com desenvolvimento humano baixo

148 - Suazilândida - 0,541
149 - Síria - 0,536
150 - Angola - 0,533
151 - Tanzânia - 0,531
152 - Nigéria - 0,527
153 - Camarões - 0,518
154 - Papua Nova Guiné - 0,516
154 - Zimbábue - 0,516
156 - Ilhas Salomão - 0,515
157 - Mauritânia - 0,513
158 - Madagáscar - 0,512
159 - Ruanda - 0,498
160 - Comoros - 0,497
160 - Lesoto - 0,497
162 - Senegal - 0,494
163 - Haiti - 0,493
163 - Uganda - 0,493
165 - Sudão - 0,490
166 - Togo - 0,487
167 - Benin - 0,485
168 - Iêmen - 0,482
169 - Afeganistão - 0,479
170 - Maláui - 0,476
171 - Costa do Marfim - 0,474
172 - Djibuti - 0,473
173 - Gâmbia - 0,452
174 - Etiópia - 0,448
175 - Mali - 0,442
176 - Congo (ex-Zaire) - 0,435
177 - Libéria - 0,427
178 - Guiné-Bissau - 0,424
179 - Eritreia - 0,420
179 - Serra Leoa - 0,420
181 - Moçambique - 0,418
181 - Sudão do Sul - 0,418
183 - Guiné - 0,414
184 - Burundi - 0,404
185 - Burkina Fasso - 0,402
186 - Chade - 0,396
187 - Níger - 0,353
188 - República Centro-Africana - 0,352

* Colaborou Leandro Prazeres, do UOL, em Brasília

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