Diego Herculano/AFP

Violência no Rio

Cariocas relatam medo após ataques a ônibus no Rio: "Terra sem lei"

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

  • Reprodução

    Ônibus é queimado durante ação orquestrada por traficantes de drogas que atuam na região de Cordovil, na zona norte do Rio

    Ônibus é queimado durante ação orquestrada por traficantes de drogas que atuam na região de Cordovil, na zona norte do Rio

Quem se deslocava pela zona norte do Rio de Janeiro na manhã desta terça-feira (2) relatou momentos de pânico na cidade. Após uma operação da Polícia Militar para acabar com a guerra entre traficantes no bairro de Cordovil, nove ônibus e dois caminhões foram incendiados por criminosos. 

O empresário Paulino Madeira, 61, é um dos motoristas que se deparou com coletivos queimados. Ele conta que, ao chegar ao bairro, próximo à estação de trem, encontrou um ônibus em chamas.

"Tive que fugir do local. Muitos motoristas começaram a manobrar para buscar outro caminho. Ninguém passava. Eu estou no Rio há 40 anos e, devido a esses problemas de violência, comecei a estudar rotas alternativas para fuga. Evitei as vias principais, optei por vias internas e consegui sair do local."

Já o comerciante Rafael de Oliveira, 34, disse que conseguiu observar a fumaça dos coletivos incendiados quando estava na ponte Rio-Niterói. "Estava chegando ao Rio e pensei: 'Nossa! Será que o Rio está em guerra?'. Sintonizei logo o rádio para saber o que estava acontecendo."

Oliveira, que estava a caminho de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, disse que devido às informações de violência preferiu evitar a avenida Brasil e optou pela Linha Vermelha para fugir dos focos de violência.

"Demorei duas horas e meia da ponte até Nova Iguaçu. Neste horário demoraria 45 minutos. Me deparei com tudo fechado pela polícia. Não tive por onde seguir e tive que esperar no carro."

Flavio Junger, morador de Piedade, também na zona norte, disse que viu a fumaça do terraço de casa. Ele conta que evita totalmente a região de Cordovil devido aos problemas de segurança.

"Cordovil está parecendo um Estado à parte. Terra sem lei. Evito circular por lá. Não há segurança. Aliás, tenho evitado sair no Rio de maneira em geral. Nem barzinho mais frequento."

Operação PM

A cidade do Rio de Janeiro está em estágio de atenção desde as 10h50 devido aos episódios de violência desta terça-feira.

De acordo com a PM, a Cidade Alta foi alvo de uma invasão por traficantes de comunidades rivais. Moradores relataram intenso tiroteio durante toda a madrugada. Logo cedo, policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope), do Batalhão de Ações com Cães (BAC) e dos batalhões de Olaria (16º BPM) e Maré (22º BPM) fizeram cerco aos criminosos em uma megaoperação.

Em represália à ação da PM, dez veículos foram incendiados. Devido aos ataques, motoristas tentaram voltar na contramão e passageiros de outros coletivos que passavam na região ficaram em pânico. O congestionamento na cidade, por volta das 11h, atingiu 66 km.

Até as 16h, 32 fuzis, quatro pistolas e 11 granadas foram apreendidos durante a ação na Cidade Alta. Três PMs ficaram feridos por estilhaços, sem gravidade.

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