Violência em São Paulo

Falsos policiais são presos por extorsão de comerciante em SP

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

  • Divulgação/Polícia Civil

    03.ago.2017 - Itens que eram usados pelos falsos policiais civis em SP

    03.ago.2017 - Itens que eram usados pelos falsos policiais civis em SP

Um sargento da Polícia Militar aposentado e um ex-policial civil, demitido em 2000 após ter sido condenado por cobrança de propina, foram presos na manhã de quarta-feira (2), no Pari, bairro comercial da região central de São Paulo, em flagrante. Se passando por policiais civis, eles tentavam extorquir R$ 1 mil de um comerciante de roupas do Rio Grande do Sul, que estava distribuindo seus produtos na capital paulista.

A prisão preventiva dos dois foi pedida pelo delegado Guilherme Sabino Corrêa, do 12º DP (Distrito Policial), no Pari. A dupla passa por audiência de custódia nesta quinta-feira (3), onde um juiz vai determinar se acata ou não o pedido do delegado. Até a publicação desta reportagem, eles ainda não haviam passado pela audiência.

A reportagem procurou a defesa dos suspeitos por meio dos telefones informados por eles mesmos na Polícia Civil. Um estava desligado. No outro, um homem atendeu e informou desconhecer o homem. A Secretaria da Segurança Pública afirmou que a dupla responderá pelo crime de extorsão.

Luís Adorno/UOL
03.ago.2017 - Caso é investigado no 12º DP

Segundo o delegado Corrêa, a dupla estava em um Fiat Palio e abordou um táxi, onde estava o comerciante gaúcho. "Eles informaram que era uma abordagem de rotina, em uma operação contra o tráfico de drogas na região. Ao verem as mercadorias, pediram as notas fiscais. O comerciante disse que só tinha a (nota) eletrônica e os falsos policiais ameaçaram apreender os produtos", afirmou ao UOL.

Para liberar o comerciante, segundo o delegado, os falsos policiais "perguntaram o que ele podia fazer por eles, induzindo um pagamento de propina". A vítima se disponibilizou a dar R$ 1 mil. Depois do acordo, os suspeitos deixaram que a vítima acabasse de entregar suas mercadorias, mas disseram que ele deveria encontrá-los em seguida em um posto de gasolina próximo de onde ocorreu a abordagem para pagar a propina.

Acontece que um policial militar de folga, que ia a um hospital para exames de rotina, viu a abordagem e estranhou a movimentação. Como esse tipo de operação é comum na região, ele ligou para colegas da PM e pediu que consultassem a placa do Palio, para comprovar que se tratava de um carro de polícia descaracterizado. Com o resultado negativo, PMs em serviço se dirigiram ao local.

Após serem abordados, os suspeitos confirmaram que estavam usando identificações falsas de policiais. O policial demitido em 2001 usava uma foto de sua antiga identificação policial como se fosse um documento válido, segundo o delegado Correa.

A polícia encontrou uma arma de brinquedo no carro dos suspeitos. A identificação de PM reformado e a arma do sargento aposentado também foram apreendidos.

Enquanto isso, o comerciante ficou esperando, junto com o taxista, no posto de gasolina marcado com os falsos policiais. "Depois de perceber a demora, o gaúcho foi à delegacia para ver se eles estavam lá. E aí constatou que estava sendo vítima de um golpe", afirmou Correa.

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