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Cartaz de república de alunos incentiva violência contra mulher e gera polêmica na web

Reprodução/Facebook
Imagem: Reprodução/Facebook

Renan Prates

Colaboração para o UOL

25/08/2017 16h45

Um cartaz colado na porta de uma república de alunos da Universidade Federal de São João Del Rei, com frases que incentivam a práticas de estupro e violência contra a mulher, gerou polêmica na internet. O caso veio à tona na última terça-feira, quando o grupo Spotted Feminista UFSJ fez a denúncia na sua página do Facebook.

O banner da República DaNação falava em “deveres e direitos” a serem seguidos pelos moradores e continha um material machista e misógino, com frases como: “É vedada toda e qualquer recriminação aos moradores que embebedarem [sic] uma mulher para pegá-la” e “Nunca se deve bater numa mulher, ela pode gostar”, entre outras.

O Diretório Central dos Estudantes (DCE) publicou uma nota em sua página do Facebook sobre o caso, repudiando a ação da república de alunos da universidade. “Cartazes como esses legitimam e perpetuam a violência de gênero, que mata mulheres todos os dias no Brasil e no mundo. Isso não é uma brincadeira, isso não é engraçado, isso é CRIME”, explicou a instituição, citando o artigo 215 do Decreto-Lei no 2.848 do Código Penal.

A nota, divulgada na última quarta, ainda acrescentou: “Acreditamos também que a página Spotted Feminista UFSJ faz um grande serviço à toda comunidade acadêmica ao divulgar denúncias de crimes contra à mulher. Esse tipo de violência acontece e é reproduzido no cotidiano da UFSJ e deve ser combatido. Manifestamos nosso apoio à página, assim como a todas as mulheres que com ela conseguem denunciar abusos sofridos na universidade e fora dela. Nós do DCE UFSJ dizemos NÃO à toda violência contra a mulher. MACHISTAS NÃO PASSARÃO!”.

O UOL entrou em contato com a página que fez a denúncia. Uma das administradoras aceitou falar sob a condição de anonimato. Ela explicou que a Spotted Feminista UFSJ foi criada com o objetivo de publicar desabafos, que envolvam situações de assédios, abusos, violências, e práticas/condutas machistas ocorridas no contexto da universidade. Um desses desabafos foi sobre o cartaz da República DaNação.

República universitária entrou em polêmica por conta de cartaz com apologia a violência contra mulheres - Reprodução/Facebook - Reprodução/Facebook
República causou revolta de grupos na internet
Imagem: Reprodução/Facebook

A publicação da página Spotted Feminista UFSJ rapidamente viralizou. Ainda na quarta, após conversar com integrantes da República, elas optaram por apagar a publicação e divulgar uma nota com a justificativa: “Após muita discussão, optamos por apagar a publicação porque os meninos relataram ameaças e lançaram notas de pedidos de desculpas, afirmando terem retirado o cartaz da república”. No papo com a reportagem, a Spotted acrescentou: “Nosso pedido é que ressalte a importância da resposta ser uma medida educativa para a universidade em geral, pois as práticas que esse cartaz reflete estão arraigadas em vários outros contextos universitários”.

A República DaNação também se posicionou de forma oficial em sua página do Facebook sobre o fato. A nota foi assinada por moradores e ex-moradores do local.

“ERRAMOS por um dia ter colado este cartaz numa parede dentro da nossa casa. ERRAMOS por ter convivido tanto tempo sem nos incomodar com o conteúdo deste cartaz de conteúdo machista. Temos família, esposas, namoradas, irmãs, mães e filhas. Não gostaríamos que elas fossem tratadas da forma como aquele cartaz sugere. PEDIMOS desculpas a todas as mulheres que já frequentaram a nossa casa e tiveram a desagradável experiência de ler aquele cartaz. REAFIRMAMOS que apesar dos “direitos e deveres” demonstrados no cartaz, sempre prezamos pelo respeito nestes 13 anos de República DaNação”.

A assessoria de comunicação da Polícia Civil informou ao UOL que não foi registrado Boletim de Ocorrência sobre o fato. Mesmo assim, o cartaz foi apreendido, a Polícia já deu início às investigações e as diligências foram feitas. O caso será acompanhado pela Delegacia de Atendimento a Mulher de São João del Rei.

A reportagem tentou entrar em contato com integrantes do DCE da UFSJ e da República DaNação, mas até o momento não obteve resposta.

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