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"Não chorou, mas tremia muito", diz mãe de menino que sobreviveu a engavetamento

Carlos Antoneli cuidou de Pedro, 3, após acidente grave na Carvalho Pinto - Reprodução/Facebook/Rádio Mensagem
Carlos Antoneli cuidou de Pedro, 3, após acidente grave na Carvalho Pinto Imagem: Reprodução/Facebook/Rádio Mensagem

Mirthyani Bezerra

Do UOL, em São Paulo

31/08/2017 11h18

O pequeno Pedro Tizoco Silva Alves, 3, não derramou uma lágrima sequer quando o carro em que ele estava com a família se chocou contra outros veículos, no engavetamento ocorrido na quarta-feira (30) que envolveu mais de 30 carros, na rodovia Carvalho Pinto, em Jacareí, interior de São Paulo. Ele também não chorou quando ficou sozinho nos braços de um desconhecido enquanto a mãe e os avós eram atendidos por equipes de resgate do Corpo de Bombeiros.

Cerca de 20 pessoas ficaram feridas e duas morreram no acidente. Pedro saiu ileso.

“Ele estava em choque, mas não chorou. Tremia muito e estava bem assustado nos braços do senhor que ficou com ele. O senhor se afastou ao máximo daquela cena horrível para ele não ficar vendo aquilo”, afirmou a mãe da criança, a decoradora Amanda Lima Alves, 25, à reportagem do UOL.

Pedro ficou sob os cuidados do chefe de produção Carlos Eduardo Antoneli, que estava acompanhado da mulher. O pequeno só saiu dos braços de Antoneli quando o tio dele conseguiu chegar ao local do acidente.

“Eu liguei para o meu irmão, que estava trabalhando em São Caetano [Grande São Paulo], antes que levassem a gente para o hospital ele chegou e ficou com o Pedro”, disse.

Pedro e a família - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Pedro, 3, abraça a mãe, o pai e o avô um dia após o acidente
Imagem: Arquivo pessoal

A decoradora só veio a ter os filhos nos braços de novo à tarde, quando teve alta da Santa Casa de Misericórdia de Jacareí, no interior de São Paulo, para onde foram levadas 12 das 20 pessoas que ficaram feridas no acidente.

“Ele me abraçou, falou ‘mamãe’, mas não falou do acidente”, disse. O pai da criança, Thales Tizoco, estava trabalhando no momento do acidente e encontrou a família no hospital.

A mãe de Amanda, que ficou bastante debilitada no acidente, também foi levada para a unidade de saúde e tem alta médica prevista para esta quinta-feira (31). “Ele ficava dizendo ‘a vovó morreu’, porque na hora do desespero quando eu vi a minha mãe ensanguentada e desacordada comecei a gritar que ela tinha morrido e ele viu isso. Eu expliquei para ele que ela estava bem, fiquei conversando com ele”, disse.

O pai de Amanda foi levado para o Hospital Municipal de São José dos Campos com escoriações leves e também teve alta médica na tarde de ontem.

A família tinha saído por volta das 6h de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, com destino a Aparecida, para participar da missa das 9h. De lá, iam para Caraguatatuba, no litoral paulista, visitar outros parentes.

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O acidente aconteceu por volta das 7h30. “A gente nasceu de novo, quero ir à Aparecida agradecer, mas vou ter que esperar um pouco, porque estou com trauma de pegar a estrada”, disse Amanda.

Sobre Carlos Eduardo Antoneli, ela conta que “não viu mais ninguém” depois que saiu do hospital, por isso não conseguiu falar com o chefe de produção, nem para agradecer.

“Foi meu pai quem deu o Pedro para ele segurar, logo depois que o acidente aconteceu. Eu estava com a minha mãe, que estava muito debilitada e foi colocada dentro de um carro afastado enquanto esperava ser atendida, mas ficava sempre de olho nele, de longe. Mãe é mãe, né? Ele estava nos braços de uma pessoa que eu nunca vi”, contou.

Pedro ficou com hematomas nas pernas e, segundo a mãe, não gosta de olhar os machucados no corpo dela. “Agora ele já fala do acidente, dando risada até, não aparenta estar nervoso. Mas quando eu mostro os machucados para ele, ele não gosta nem de olhar. O semblante dele muda quando ele vê que eu fiquei machucada”, conta.

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