"Muito triste, chorei", diz filho de Chico Xavier após depredação de homenagem ao médium

Fabiana Marchezi

Colaboração para o UOL

  • Arquivo Pessoal

"Muito triste. Eu chorei quando vi tudo quebrado", disse o filho de Chico Xavier, Eurípedes Higino Reis, sobre a depredação do vidro blindado que protege o busto do médium, no Cemitério São João Batista, em Uberaba. O caso aconteceu na manhã deste sábado (30), quando a morte de Chico completava 15 anos e três meses. Ele morreu em 30 de junho de 2002.

Segundo o filho de Chico, assim que foi chamado pela dona de uma floricultura que fica em frente ao cemitério ele foi até o local e viu pedaços de pedras no chão. Apesar disso, pelos estilhaços ele acredita que as marcas sejam de tiros. "Me parece tiro porque o vidro é muito resistente, as pedras não teriam feito tanto estrago", afirmou.

Arquivo Pessoal

O que mais assusta é que essa não foi a primeira vez que atacaram a memória do meu pai. "Em junho de 2015, vandalizaram o túmulo e nós colocamos grades. Ontem foi a vez do busto. Agora, vou consertar o vidro e providenciar grades para ele também. Precisa ser assim, não posso deixar que a memória do meu pai seja frequentemente atacada", lamentou.

Para ele, a ação não pareceu vandalismo, mas intolerância religiosa.

"Não acredito em vandalismo, nem em roubo. Meu pai era muito respeitado. Nunca fez mal a ninguém, ao contrário, ele matou a fome de muita gente e hoje eu continuo seu trabalho, como presidente do Grupo Espírita da Prece de Chico Xavier. Quando ele era vivo, me atacavam para atingi-lo e hoje acontece o inverso. Atacam sua memória para me atingir. Além disso, temos visto casos de intolerância religiosa em várias cidades do País. Acredito que esse seja mais um caso", comentou.

Eurípedes também disse que, desta vez, preferiu não acionar a Polícia Militar. "Infelizmente não adianta. Em 2015, acionei e nada foi resolvido. Não tenho nenhum sentimento de raiva, nem revolta contra quem fez isso. Na verdade, sinto pena e dó", desabafou o filho do médium que também cuida do Museu Chico Xavier e já escreveu quatro livros sobre o médium.

A direção do cemitério confirmou a depredação e disse que não sabe quem são os autores do ataque, uma vez que não existe segurança 24 horas para dar proteção aos túmulos, mas garantiu que vai apoiar Eurípedes no conserto do vidro e tomar as providências cabíveis em relação ao caso.

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