Violência em São Paulo

Delegacia da zona leste de SP restringe entrada de chinelo, bermuda e camiseta regata

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

  • Luís Adorno/UOL

    Cartaz colado em janela do 63º DP (Vila Jacuí) aponta restrições para entrada

    Cartaz colado em janela do 63º DP (Vila Jacuí) aponta restrições para entrada

Um cartaz colado em uma das janelas do 63º DP (Distrito Policial), localizado na Vila Jacuí, zona leste de São Paulo, faz restrições às vestimentas de quem entra na delegacia. "Atenção: é proibido o acesso a esta delegacia de polícia trajando bermuda, chinelos e camiseta regata", diz o informe. Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo afirmou que a orientação será retirada, pois não há restrição a trajes nos distritos.

A Vila Jacuí, com avaliação 0,779, tem o 17º pior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) entre os 96 distritos da cidade de São Paulo, que mede a riqueza, alfabetização, educação, esperança de vida, natalidade e outros fatores da sociedade. Como comparação, Moema, com 0,901, tem o melhor índice --quanto mais próximo de 1, melhor o IDH.

Procurado, o delegado Ronaldo Rocha, do 63º, afirmou desconhecer o cartaz. "É óbvio que uma pessoa que for vítima e estiver vestida dessa maneira, eu não vou deixar de atender. Vai ser atendida com certeza e com toda a atenção. Eu, por exemplo, já atendi gente sem camiseta e só de bermuda e chinelo", disse ao UOL.

"Acredito que o cartaz tem relação com as pessoas que são intimadas a depor. A delegacia é uma repartição pública, então tem que ter o mínimo de respeito. Se você for intimado a depor, vá bem trajado, não de bermuda, chinelo, boné...", argumentou o delegado.

Em nota enviada na tarde de sexta-feira (13), a Secretaria de Segurança Pública afirmou que o cartaz será retirado. "A Polícia Civil informa que não há qualquer restrição de trajes para o atendimento na delegacia. A orientação será retirada."

"Delegacias têm que ser abertas ao público"

Para o advogado Ariel de Castro Alves, integrante do Condepe (Conselho Estadual de Direitos Humanos), trata-se de discriminação. "Por ser uma repartição pública, não pode discriminar a pessoa. É um preconceito. Em delegacias de polícia, eu nunca vi isso, mas em fóruns é comum que tenha esse tipo de coisa", disse.

"Pessoas em situação de rua, elas muitas vezes não têm tênis, sapato, só o chinelo. Elas não têm roupas para escolher. Elas não seriam bem atendidas ao serem intimadas a depor?", questionou. "As delegacias têm que ser abertas ao público, não pode restringir as pessoas de nenhuma maneira, seja por condições sociais, de gênero, raça. De nenhuma maneira", complementou.

"Até mesmo uma pessoa com poder aquisitivo melhor pode sofrer com isso. A pessoa pode estar voltando da praia, por exemplo, de bermuda e chinelo. E isso não pode censurar que elas sejam adequadamente atendidas", argumentou.

Delegacia investiga morte de meninas

A Polícia Civil montou uma força-tarefa para tentar esclarecer a morte das meninas Adriely Mel Porto, a Mel, e Beatriz Moreira dos Santos, a Bia, de 3 anos, no Jardim Lapenna, região de São Miguel Paulista, na zona leste.

Arquivo pessoal
Mel (esq.) e Bia (dir.) foram encontradas mortas em um terreno da zona leste de SP

Além do DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa), da Polícia Civil, o 63º DP apura o caso paralelamente. "Quando registrei o caso, imediatamente liguei para a delegada do DHPP de desaparecidos. Conversamos e acordamos fazer uma investigação em paralelo: melhor duas, porque uma equipe pode conseguir o que outra pode ter dificuldade", disse o delegado Ronaldo Rocha ao UOL.

Segundo a SSP, "os corpos, já em estado avançado de decomposição, foram encaminhados ao IML central para a identificação por meio de exame de DNA. O carro, uma Fiorino roubada, foi apreendido e periciado. A investigação segue em andamento", afirmou a pasta. A secretaria afirmou, na tarde de ontem, que vai oferecer recompensa de R$ 50 mil para quem souber informações sobre a autoria do crime.

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