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Após homenagem a Marielle, dono de bar tradicional do Rio é levado para delegacia

15.mar.2018 - Manifestantes erguem cartazes de protesto durante ato em homenagem à vereadora Marielle Franco - Jose Lucena/Futura Press/Futura Press/Estadão Conteúdo
15.mar.2018 - Manifestantes erguem cartazes de protesto durante ato em homenagem à vereadora Marielle Franco Imagem: Jose Lucena/Futura Press/Futura Press/Estadão Conteúdo

Carolina Farias

do UOL, no Rio

19/03/2018 12h36

O dono de um dos bares mais tradicionais de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, o Bip Bip, Alfredo Jacinto Melo, 74, conhecido como Alfredinho, foi conduzido à Polícia Civil na noite de domingo (18) após uma confusão causada por um policial rodoviário federal que se sentiu incomodado com uma homenagem à Marielle Franco, vereadora assassinada na semana passada, e seu motorista Anderson Gomes, também morto no episódio.

Durante uma roda de samba, programa que ocorre todos os domingos no reduto boêmio, os músicos gritaram “Marielle, presente” e Alfredinho emendou um discurso sobre o evento ecumênico que vai acontecer na terça-feira (20). As broncas e os discursos de Alfredinho fazem parte da tradição do bar e já entraram para o folclore da noite carioca. No entanto, o policial, que estava de folga, retrucou e a confusão foi formada.

Segundo o executivo Jean Marc Schwartzenberg, que estava no bar no momento da confusão, o policial interrompeu a música para reclamar. “E os 200 policiais mortos?”, gritou o agente, segundo Jean.

“Uma musicista até respondeu: ‘Marielle morreu por eles também’, mas já nem dava mais, ele estava muito agressivo. O Alfredinho levantou e pediu para ele parar porque estava atrapalhando, as pessoas começaram a gritar que ele não era bem-vindo e a confusão durou uns 20 minutos”, contou Jean.

Alfredinho (em primeiro plano à direita) no bar Bip Bip - Reprodução/Facebook - Reprodução/Facebook
Alfredinho (em primeiro plano à direita) no bar Bip Bip
Imagem: Reprodução/Facebook

Durante a confusão, o policial levou um tapa de um dos frequentadores do lugar, que tentavam convencê-lo a ir embora. Segundo Jean, cerca de meia hora depois, o policial voltou ao bar.

“Ainda bem que o cara que deu o tapa não estava mais no bar. Ele [policial] entrou no bar e foi direto para o fundo, o Alfredinho estava saindo do banheiro. Ele foi para ameaçá-lo. Só consegui ouvir: ‘voltei e estou a fim de dar uns tiros’. Ficou levantando a camisa para mostrar a pistola. O bar esvaziou e ele discursando de dentro para fora”, afirmou o executivo.

A Polícia Militar foi chamada e, segundo relatos de outros frequentadores do bar nas redes sociais, somente o policial foi ouvido pelos agentes. O executivo afirmou que o homem que armou a confusão quis levar o dono do bar para a delegacia.

“Ele disse: ‘eu sou policial rodoviário federal e o dono do bar é o meu conduzido’. O que podemos lamentar foi o tapa que ele levou, que deu oportunidade para esse cara fazer isso”, afirmou Jean.

Depois de peregrinarem por duas delegacias, a ocorrência foi registrada na 14º Delegacia de Polícia (Leblon) como agressão e Alfredinho foi arrolado como testemunha. Eles saíram da delegacia às 2h30 desta segunda-feira (19). A reportagem procurou a Polícia Civil, mas ainda não obteve retorno.

“Ele [Alfredinho] ficou triste, queria resolver logo, mas estava bem. Pelo menos 15 pessoas o acompanharam na peregrinação pelas delegacias. Um advogado que acompanhou disse que, em nenhum momento, o Alfredinho se colocou como testemunha de agressão, mas sim deu elementos de, no mínimo, abuso de autoridade”, afirmou o jornalista Thiago Prata, que também estava no bar.

Por meio de nota, a PRF (Polícia Rodoviária Federal) afirmou que não houve registro de comportamento que “configure desvio de conduta funcional, representando tão somente atitudes e opiniões pessoais do servidor”. A reportagem do UOL não conseguiu localizar o policial.

Frequentador do bar por 18 anos, Jean disse que o episódio não o desmotiva a continuar indo ao Bip Bip. "Isso eles não vão conseguir, não vou desanimar. Vou continuar a frequentar”, afirmou Jean.

Disque Denúncia Marielle - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Pistas sobre o assassinato

O Disque Denúncia informa que já recebeu 27 denúncias sobre o caso e encaminhou tudo para a polícia. O anonimato é garantido. Quem tiver qualquer informação a respeito da identificação e localização dos assassinos pode usar os seguintes canais para denunciar:

  • Whatsapp ou Telegram: (21) 98849-6099
  • Central de Atendimento do Disque Denúncia: (21) 2253-1177

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